Sochi 2014

Secretário-geral da ONU critica leis anti-homossexualidade na Rússia

O secretário-geral da ONU apelou hoje  para o fim dos ataques e discriminações contra homossexuais na Rússia, na  véspera da abertura oficial dos Jogos Olímpicos de Inverno, em Sochi, no  Cáucaso russo.  

© STRINGER Mexico / Reuters

A organização da 22. olimpíada de inverno em Sochi, nas margens do  Mar Negro, tem sido perturbada por preocupações em torno da segurança e  dos direitos humanos, na sequência da legislação aprovada em junho por Moscovo,  que proíbe a disseminação de "propaganda gay" junto a menores, uma decisão  considerada homofóbica por grupos de ativistas.   

Ao discursar no congresso do Comité Olímpico Internacional (COI), em  Sochi, o chefe da ONU emitiu um apelo ao mundo para um combate empenhado  às discriminações.  

"Muitos atletas profissionais gays e heterossexuais são contra os julgamentos  prévios. Devemos elevar a nossa voz contra os ataques sobre as lésbicas,  gays, bissexuais, trans, ou os interssexos", declarou Ban Ki-Moon.  

"Devemos opor-nos às detenções, prisões e restrições discriminatórias  enfrentadas pelos homossexuais. Sei que o princípio 6 da Carta Olímpica  convida o COI a opor-se a todas as formas de discriminação. O ódio, independentemente  da forma em que se manifeste, não tem lugar no século XXI", disse ainda.

A lei promulgada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, que pune com  multa e prisão a "propaganda" da homossexualidade perante menores foi muito  criticada pelos defensores dos direitos humanos, que denunciaram uma estigmatização  desta minoria na Rússia.  

 Moscovo continua a insistir nas suas posições, e o vice-primeiro-ministro  russo Dmitri Kozak advertiu hoje os atletas e espetadores contra a "propaganda"  homossexual perante menores nos Jogos Olímpicos, em conformidade, na sua  perspetiva, com a carta olímpica.  

"A propaganda política durante os eventos desportivos está proibida  pela carta olímpica e a lei russa", declarou Kozak em Sochi.  

Em paralelo, os Estados Unidos alertaram hoje as companhias aéreas norte-americanas  e estrangeiras sobre a possibilidade de explosivos serem transportados em  aviões disfarçados de pastas dentífricas.  

Os receios sobre a segurança nos Jogos Olímpicos foram relançados por  dois atentados suicidas que provocaram 34 mortos no final de dezembro em  Volgogrado, a antiga Estalinegrado, a 700 quilómetros de Sochi.  

Lusa