Sochi 2014

Amnistia Internacional denuncia violações dos direitos humanos em Sochi

A Amnistia Internacional (AI) pediu hoje ao  Comité Olímpico Internacional (COI) para "não ignorar as graves violações  dos direitos humanos" e as "pressões sobre os ecologistas" cometidas na  Rússia, no âmbito dos Jogos Olímpicos de Inverno. 

Numa carta enviada ao presidente do COI, Thomas Bach, a organização  solícita que se interroguem as autoridades russas sobre os casos de "pressões  sobre os ecologistas e de violação de direitos como a liberdade de expressão,  associação e reunião", que presumivelmente estão a ocorrer em Sochi. 

"A tocha olímpica tem iluminado as violações dos direitos humanos na  Rússia e também irradia luz sobre as medidas do COI para travá-las", lamentou  Salil Shetty, secretária-geral da AI, num comunicado divulgado em Londres.

Shetty defendeu que, "ao não admoestar as autoridades russas pela sua  constante discriminação e abuso,  (o COI) fracassou na estratégia de manter  vivos os princípios da Carta Olímpica". 

A AI pediu, ainda assim, ao COI para tomar medidas no sentido de travar  "as flagrantes" violações dos direitos humanos no contexto dos Jogos Olímpicos  de Inverno, que começaram na sexta-feira e termina no próximo dia 23. 

Se o COI não fizer nada para evitar os abusos, isso significará "uma  traição ao objetivo principal da Carta Olímpica: a defesa do espírito da  amizade, da solidariedade e do jogo limpo". 

Os ecologistas Igor Kharchenko e Evgeny Vitishko foram detidos "injustamente"  na semana passada, segundo indica o mesmo comunicado, que os classifica  como "presos de consciência". 

Kharchenko, que entrou em greve de fome após a detenção e foi finalmente  libertado no domingo, afirmou à AI que a polícia russa o tratou de forma  "atroz". 

"A polícia não te dá comida nem bebida, tens que estar à porta da cela durante meia hora para que te deixem tomar banho. Se tiveres sede, dizem-te  para beberes água do cano que está acima da sanita. Nas celas está frio,  cinco graus, e uma temperatura gélida durante a noite. Não há camas, só  há bancos de 35 centímetros de largura", acusou. 

 

     

Lusa