Numa carta enviada ao presidente do COI, Thomas Bach, a organização solícita que se interroguem as autoridades russas sobre os casos de "pressões sobre os ecologistas e de violação de direitos como a liberdade de expressão, associação e reunião", que presumivelmente estão a ocorrer em Sochi.
"A tocha olímpica tem iluminado as violações dos direitos humanos na Rússia e também irradia luz sobre as medidas do COI para travá-las", lamentou Salil Shetty, secretária-geral da AI, num comunicado divulgado em Londres.
Shetty defendeu que, "ao não admoestar as autoridades russas pela sua constante discriminação e abuso, (o COI) fracassou na estratégia de manter vivos os princípios da Carta Olímpica".
A AI pediu, ainda assim, ao COI para tomar medidas no sentido de travar "as flagrantes" violações dos direitos humanos no contexto dos Jogos Olímpicos de Inverno, que começaram na sexta-feira e termina no próximo dia 23.
Se o COI não fizer nada para evitar os abusos, isso significará "uma traição ao objetivo principal da Carta Olímpica: a defesa do espírito da amizade, da solidariedade e do jogo limpo".
Os ecologistas Igor Kharchenko e Evgeny Vitishko foram detidos "injustamente" na semana passada, segundo indica o mesmo comunicado, que os classifica como "presos de consciência".
Kharchenko, que entrou em greve de fome após a detenção e foi finalmente libertado no domingo, afirmou à AI que a polícia russa o tratou de forma "atroz".
"A polícia não te dá comida nem bebida, tens que estar à porta da cela durante meia hora para que te deixem tomar banho. Se tiveres sede, dizem-te para beberes água do cano que está acima da sanita. Nas celas está frio, cinco graus, e uma temperatura gélida durante a noite. Não há camas, só há bancos de 35 centímetros de largura", acusou.
Lusa
