Na Estrada Lusobrasileira, uma zona de moradias em declive, perto da qual habita o presidente do governo regional, é visível a destruição nas casas e na via, provocada por enxurradas e deslizamentos de terras.
Em várias avenidas no centro do Funchal encontram-se árvores, lama, água e pedregulhos a impedir a circulação automóvel.
Observam-se também muitos automóveis destruídos, como se tivessem sido prensados, pela água ou por derrocadas.
Segundo fonte dos bombeiros, muitas habitações tiveram de ser evacuadas, assim como dois centros comerciais que ficaram inundados.
A ponte que ligava a rua Fernão Ornelas ao Mercado dos Lavradores foi destruída pela força da água da ribeira que galgou o seu leito, tal como tem acontecido noutros pontos da ilha assolados pela tempestade.
Os bombeiros não conseguem atender todos os pedidos de socorro que recebem pois todos os seus meios estão dispersos pela cidade e arredores.
A Proteção Civil está reunida desde o início da tarde mas ainda não conseguiu divulgar informação atualizada pois os acontecimentos sucedem-se dado que a chuva continua a cair com força
O aeroporto da ilha da Madeira está encerrado e as ligações marítimas com o exterior canceladas.
População sem água, electricidade e telefone
Sem água, sem luz e com interrupções nas comunicações, alguns habitantes da ilha do Funchal, Madeira, estão preocupados com a situação dos seus familiares e com a evolução dos estragos com a subida da maré.
Margarida Freitas Vieira, técnica educacional de 54 anos, vive numa zona alta do "meio da cidade do Funchal" e está "sem água, sem luz, sem telefones e sem televisão" .
"Estou muito preocupada porque só consigo saber o que se passa através da minha janela. O mar está todo castanho por causa da água que lá chega das ribeiras e dos lixos e as ondas estão altíssimas" , descreveu Margarida.
Da janela de sua casa, onde está "segura" mas sem saber da sua família e amigos, a testemunha vê também a localidade de Anadia, mais baixa, e contou que "as estradas mais parecem ribeiras, de inundadas, e correm com muita intensidade" .
Também Paulo França, funcionário público de 42 anos, está preocupado com a situação, e teme "que a subida da maré, prevista às 15:00, traga estragos" .
Paulo e a família estão em casa, também numa zona mais alta da ilha, seguindo as indicações da proteção civil, e descreveu que "nunca se viu nada assim" .
"Estamos perplexos. A força das águas arrastou algumas viaturas de zonas inclinadas e não se sabe se estão vítimas dentro dos carros ou não" , temeu.
Por sua vez Filipe Cerqueira, advogado, tentou ir trabalhar hoje de manhã, mas pelos deslizamentos de terra e pelas inundações demorou três horas a fazer um percurso que demoraria cinco minutos.
"As estradas estão bloqueadas, há pontes que ameaçam cair. É lamentável que a cidade esteja toda diminuída" , considerou.
O temporal que assolou hoje a Madeira provocou até ao momento pelo menos 31 mortos, disse à agência Lusa fonte do Governo Regional.
Além destas vítimas, deram até ao momento 63 feridos nas urgências do Hospital Dr. Nélio Mendonça, no Funchal, sendo dois casos graves de ortopedia que estão a ser sujeitos a intervenções cirúrgicas.
As más condições atmosféricas acalmaram neste momento e a chuva deu uma trégua, deixando um rasto de destruição sobretudo nos concelhos do Funchal e na Ribeira Brava.
As ribeiras galgaram as margens, arrastando na água lamacenta moradias, carros e pessoas, estando algumas dadas como desaparecidas.
Com Lusa
