O médico Clive Dix, antigo coordenador da task force britânica, defende que a estratégia de combate à covid-19 deve ser repensada para retomar uma “nova normalidade”, focada na proteção dos mais vulneráveis, avança o jornal The Guardian.
Clive Dix acredita que a covid-19 deve ser tratada como um vírus endémico, isto é, uma gripe. Desta forma, “os indivíduos podem isolar-se quando não se sentirem bem e voltar ao trabalho quando se sentirem prontos”.
O antigo coordenador, que tinha assumido a liderança do plano de vacinação em junho de 2020, acredita que a vacinação em massa deve cessar depois da primeira campanha de reforço.
“Precisamos de analisar se utilizamos a atual campanha de reforço para assegurar a proteção dos mais vulneráveis, se tal for considerado necessário” e acrescenta que é preciso “controlar a doença” e “travar a progressão da doença grave nos grupos mais vulneráveis”.
O antigo responsável pela vacinação contra a covid-19 no Reino Unido aconselha os ministros a apoiarem a investigação sobre a imunidade à covid-19, além da análise dos anticorpos, que inclua também a resposta imunitária celular com as células B e T. Desta forma, poderia ajudar a criar vacinas para os mais vulneráveis com enfoque no combate eficaz às variantes da covid-19.
Clive Dix não acredita que a quarta dose (segunda dose de reforço), que está a ser administrada em Israel, traga grandes vantagens. O Comité de Vacinação e Imunização britânico deu parecer negativo referente à administração da quarta dose e sustenta que é necessário dar prioridade ao programa atual, em vez de começar a oferecer a quarta dose a grupos vulneráveis.
NHS COM CARÊNCIAS QUE TÊM PREJUDICADO A SAÚDE DA POPULAÇÃO
O jornal destaca a opinião do diretor executivo da NHS Providers (uma organização que reúne os fornecedores do sistema de saúde britânico), Chris Hopson, que alerta para as carências do Serviços Nacional de Saúde e como tem comprometido a saúde da população.
“O NHS e o sistema de assistência social não tem capacidade suficiente, que pedir ao pessoal que se esforce cada vez mais para colmatar essa lacuna. Não é sustentável. Precisamos de um plano de força de trabalho a longo prazo, totalmente financiado para atrair e reter um milhão de profissionais de saúde e apoio social extra”.
REINO UNIDO COM MAIS DE 150 MIL MORTES
A declaração surge numa altura em que foi revelado que mais de 150 mil pessoas em todo o Reino Unido morreram de covid-19, desde o início da pandemia.
Boris Johnson, primeiro-ministro do Reino Unido, indicou no sábado que “cada morte é uma perda profunda para as famílias, amigos e comunidades afetadas. Os meus pensamentos e condolências estão com eles”.
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