Pedro Teixeira, Rita Pereira, Maria Vieira, Dalila Carmo, Paulo Pires, Marina Mota, Ana Zanatti, Silvia Rizzo, João Lagarto, São José Correia, António Capelo, Joana Ribeiro, Maria José Pascoal, Tiago Teotónio Pereira e Io Apolloni são nomes de um vasto elenco que começou a trabalhar neste projeto há quase dois anos.
"O filme é uma tragicomédia passada no dia em que o país é posto à venda ou uma tragicomédia passada no dia em que o país é salvo. Portanto, é uma comédia com um toque quase surrealista, mas bantante verdadeiro sobre os temas da atualidade. Sobre os problemas nos mais diversos setores da sociedade, desde os problemas da emigração, aos problemas da bancarrota. É bastante transversal, é a história da família Dias.", diz André Badalo.
A história da família Dias é contada em cinco segmentos, ou seja, cinco pequenas narrativas que se cruzam entre si. Chegado ao caos financeiro, o país vê-se em momentos de grande aflição e é aí que entra em cena uma figura mítica do imaginário português, D. Sebastião, agora em versão moderna, encarnado na personagem de um jornalista hipocondríaco (Pedro Teixeira).
"O filme fala precisamente disso, dos heróis. E nós sendo os herdeiros dos heróis do passado, somos os heróis dos dias de hoje. Portanto, não vale a pena continuarmos à espera que um dia alguém surja do estrangeiro para nos salvar. Se queremos salvar o país, temos de ser nós a sair à rua, determinados e a lutar por aquilo que é nosso, pelos nossos direitos, do nosso país e do nosso futuro. Esta é a mensagem do filme.", confessa o realizador algarvio.
"Não é um filme que choque, mas vai doer a muita gente"
André Badalo diz que o filme se aproxima da linguagem dos filmes de Woody Allen e de Pedro Almodóvar. Para o realizador que também assina parte do argumento, "não é um filme que apenas pretende fazer rir, é um filme que pretende chegar a uma reflexão. Nós vamos rir de imensas coisas que acontecem no filme, imensas coisas que acontecem nas vidas dos protagonistas, mas que são coisas que acontecem nas nossas vidas".
Mas trata-se de um filme de protesto? Ou um filme político?
"Não é um filme que choque, mas vai doer a muita gente". O realizador é peremptório e garante que a película dispara em todas as direções, apelida-a de "corrosiva", "sem tabus" e "sem limites". Garante que o filme é dinâmico e assegura que "esta não é uma comédia de clichés".
O filme conta com várias participações musicais como os casos de Luís Represas, Diogo Piçarra e Ala dos Namorados. O objetivo é o reforço da identidade nacional que na história se encontra desvanecida, quase em vias de extinção.
"Foi um milagre fazer este filme com condições que nós não tínhamos, mas conseguimos reunir"
O processo para a realização do filme não foi fácil. Sem apoios oficiais do ICA (Instituto do Cinema e Audiovisual), o realizador conseguiu a ajuda de várias autarquias algarvias (Tavira, Vila do Bispo, São Brás, Olhão e Loulé, e a União de Freguesias Fuseta-Moncarapacho) com a promessa de promoção das localidades. Chegou a contar com um equipa de cerca de 50 pessoas para filmar cenas mais complexas.
Com estreia prevista para junho de 2017, ano em que se comemora o centenário das aparições de Fátima, o filme vai ser emitido em todo o país com distribuição da NOS. Será que é esperado um milagre de bilheteira?
"(Risos) O filme fala precisamente sobre isso. Eu não espero um milagre de bilheteira, eu acredito que isso vai acontecer. Esse é precisamente o segredo de que nós falamos no filme, falamos de um país em crise e onde toda a gente pede e reza a Nossa Senhora de Fátima para que aconteça um milagre e que o país se salve. E realmente o milagre acontece. Foi um milagre fazer este filme com condições que nós não tínhamos, mas conseguimos reunir."
Depois de ter estudado em Lisboa, Londres e Los Angeles, o algarvio André Badalo, de 35 anos, já foi várias vezes premiado pelo seu trabalho. Até agora realizou uma série de curtas metragens bem sucedidas. Aliás, este filme trata-se da sua segunda longa-metragem e da primeira como realizador único, depois de ter trabalhado como co-realizador num filme rodado no Arzebeijão - com a participação de 10 realizadores -, que conta 10 histórias de amor na mesma cidade, Baku. Trata-se de uma produção russa com Alessandro Bertolucci e Asia Argento no elenco e deve estrear a meio de 2017 no circuito europeu de cinema.
