Segundo Manuel Alegre, antes de aprender a escrever já declamava poemas de Luís de Camões. O autor, que foi hoje homenageado, falou da poesia como estado de liberdade, fazendo alusão aos tempos de ditadura e guerra colonial que viveu. Alegre fala de si como "um bicho da terra tão pequeno" que usa a "palavra como arma na luta pela liberdade", num discurso em que não se esqueceu de mencionar Miguel Torga e Sophia de Mello Breyner.
Na cerimónia esteve presente o primeiro-ministro António Costa, que invocou Camões para se referir às obras de Alegre, dizendo que os dois poetas "falam dessa pátria de que tantas vezes se queixam para melhor a poderem amar". A liberdade, o combate e a resistência foram palavras de ordem da cerimónia que contou também com a presença do ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, e o ensaísta Eduardo Lourenço, detentor do prémio Camões de 1996. A sessão terminou com a fadista Maria Ana Bobone a dar voz a dois poemas de Manuel Alegre.
O autor é agora indicado para o Prémio Nobel da Literatura, ao lado da escritora Agustina Bessa-Luís. Questionado acerca deste tema, o ministro da Cultura refere que gostava de ver mais um nome português a ganhar o nobel.
O prémio Camões é atribuído aos autores que tenham contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural da língua portuguesa e, no próximo ano, vai ser entrege no Brasil.
