Cultura

Palácio Nacional de Mafra e Bom Jesus classificados Património Mundial da UNESCO

Em atualização

Foram distinguidos em Baku, no Azerbaijão, onde decorre a reunião do comité da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura.

O Palácio Nacional de Mafra e o Bom Jesus de Braga juntam-se a outros 15 locais classificados em Portugal como o Mosteiro dos Jerónimos, da Batalha ou o Convento de Cristo.

Câmara de Mafra diz que classificação pela UNESCO "peca por tardia"

O presidente da Câmara de Mafra disse hoje que a classificação do Palácio, Basílica, Convento, Jardim do Cerco e Tapada de Mafra como Património Cultural Mundial da UNESCO "peca por tardia".

"É um dia histórico para Mafra e para Portugal, porque esta candidatura preparada há 10 anos foi hoje aprovada e só peca por tardia, porque já devia ter sido classificada há muito tempo", disse Hélder Sousa Silva.

Para o autarca, a inscrição de Mafra na lista do Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) "não é um ponto de chegada, mas um ponto de partida e traz responsabilidades acrescidas para a manutenção [Notes:do monumento] a curto prazo".

"Espero que haja uma Mafra antes da classificação e uma Mafra depois da classificação, virada para a recuperação do património", enfatizou.

"A inevitabilidade de um reconhecimento não poderia, nem deveria ser protelada, porque Mafra e o seu monumento há muito que mereciam esta inscrição", defendeu o diretor do Palácio Nacional de Mafra, Mário Pereira, citado numa nota de imprensa enviada pela autarquia.

Também a Escola das Armas e o Exército, a direção da Tapada Nacional e a Paróquia de Mafra, outros parceiros da candidatura, se regozijaram com a classificação.

O conjunto composto pelo Palácio, Basílica, Convento, Jardim do Cerco e Tapada de Mafra recebeu hoje a classificação de Património Cultural Mundial da UNESCO, na reunião do comité da organização, a decorrer em Baku, no Azerbaijão, anunciou a organização.

O monumento português fez parte "das 36 indicações para inscrição na Lista do Património Mundial", que estão a ser avaliadas na 43.ª Sessão do Comité do Património, Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), a decorrer em Baku, no Azerbaijão, até 10 de julho.

Autarca de Braga salienta "grande responsabilidade" que vem com classificação da UNESCO

O presidente da câmara de Braga congratulou-se hoje pela classificação do Santuário do Bom Jesus como Património Cultural Mundial da UNESCO, salientando que com a distinção vem "também uma grande responsabilidade e orgulho".

"Isto é um momento de felicidade, de orgulho para a cidade e para toda a equipa que trabalhou para que esta classificação fosse possível, mas também coloca sobre a cidade uma grande responsabilidade que é a de tudo fazer para que o local continue à altura desta distinção", afirmou Ricardo Rio.

O autarca transmitiu ainda as felicitações do presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa: "Acabei de falar também com a embaixadora Ana Martim, que nos deu conta dos parabéns do Presidente da República", disse.

Polémica em torno do Bom Jesus de Braga

A candidatura suscitou algumas questões ao Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios (ICOMOS), que faz a apreciação das candidaturas que chegam de todo o mundo, no que diz respeito à autenticidade e integridade deste monumento, assim como a preservação e prevenção de acidentes, como possíveis incêndios à volta do complexo religioso, mas a proposta acabou por ser aprovada.

O Brasil, que abriu a discussão e faz parte deste comité, defendeu que o Bom Jesus de Braga não só cumpre todos os critérios para ser integrado na lista de monumentos, mas serviu também de inspiração para o complexo do Bom Jesus de Congonhas, no Brasil, que já consta da lista da UNESCO.

Portugal esclareceu que todas as dúvidas sobre o monumento bracarense já estavam esclarecidas no dossier entregue por Portugal e que as recomendações do ICOMOS já estão mesmo a ser seguidas no santuário.

A representação portuguesa afirmou ainda que o monumento também já está inscrito como património nacional.

Palácio Nacional de Mafra

Datado do século XVIII, o Palácio Nacional de Mafra, mandado construir por D. João V, com a riqueza resultante do ouro vindo do Brasil, é um dos mais importantes monumentos representativos do barroco em Portugal, sendo por isso um exemplo de afirmação do poder real.

Possui importantes coleções de escultura italiana, de pintura italiana e portuguesa, uma biblioteca única, bem como dois carrilhões, seis órgãos históricos e um hospital do século XVIII. Foi classificado em 1910 como Monumento Nacional, mas a classificação abrangia só o palácio, a basílica e o convento.

Por isso, em junho desde ano, a Direção-Geral do Património Cultural propor alargar essa classificação também à Tapada Nacional e ao Jardim do Cerco.

Lista da UNESCO

A Lista do Património Mundial da UNESCO integra atualmente 1.092 sítios em 167 países.

Portugal conta com 15 locais classificados em território nacional, havendo ainda 11 que constituem património mundial de origem portuguesa no mundo.

O Centro Histórico de Angra do Heroísmo, o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém, em Lisboa, num conjunto de proximidade, o Mosteiro da Batalha e o Convento de Cristo, em Tomar, foram os primeiros classificados, em 1983.

Lusa

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