Cultura

Astérix, Obélix e a sua reinvenção cinematográfica

João Lopes

João Lopes

Crítico de Cinema

Face ao desaparecimento de Albert Uderzo, vale a pena recordar que o universo de Astérix e Obélix possui também algumas importantes derivações cinematográficas — entretanto, existe o projecto de um novo filme para 2021.

A notícia da morte de Albert Uderzo (dia 24 de março, aos 92 anos), criador do mundo de Astérix e Obélix com René Goscinny (1926-1977), envolve um misto de nostalgia e ansiedade — tudo inevitavelmente intensificado pela quarentena que estamos a viver. Perguntamo-nos, aliás, como e quando será concretizado o projecto de “Astérix et Obélix: l’Empire du Milieu”, quinto título deste universo a ser concretizado com actores de carne e osso, inicialmente com estreia agendada para 2021.

Nas quatro produções anteriores, a reinvenção da obra de Goscinyy & Uderzo trouxe-nos um Astérix assumido por três actores: Christian Clavier em “Astérix e Obélix contra César” (1999) e “Astérix e Obélix: Missão Cleópatra” (2002); Clovis Cornillac em “Astérix nos Jogos Olímpicos” (2008); e Edouard Baer em “Astérix e Obélix: Ao Serviço de Sua Majestade” (2012). Quem nunca mudou foi o intérprete de Obélix: com a sua presença imensa e a sua pose despreocupada, Gérard Depardieu parece mesmo ter nascido para interpretar o gaulês bonacheirão que é também o mais contundente inimigo dos romanos — eis o trailer original do último daqueles títulos.

Curiosamente, “Astérix et Obélix: l’Empire du Milieu” seria — ou melhor, será — uma viragem na representação das personagens centrais. Os novos intérpretes de Astérix e Obélix serão Guillaume Canet e Gilles Lellouche, respectivamente, com o primeiro a tomar conta também da realização. A personagem de Cleópatra, interpretada por Monica Bellucci na produção de 2002, regressará agora a cargo de Marion Cotillard.

Escusado será dizer que a popularidade das histórias escritas por Goscinny e desenhadas por Uderzo nunca dependeu do cinema, nem mesmo das muitas versões de animação iniciadas em 1967, com “Astérix, o Gaulês”. Em qualquer caso, vale a pena sublinhar que os filmes têm servido também de bandeira de uma indústria europeia cujas potencialidades técnicas e artísticas nem sempre são devidamente reconhecidas (a começar pelos próprios europeus).

Com especial destaque para “Astérix e Obélix: Ao Serviço de Sua Majestade”, estamos perante sofisticados objectos de produção, nomeadamente na integração de imagens digitais para figurar a gigantesca armada romana. Afinal de contas, a França possui estúdios cuja sofisticação pode ombrear com os recursos que, habitualmente, apenas associamos à indústria de raiz anglo-saxónica. Isto sem esquecer que “Astérix e Obélix: Ao Serviço de Sua Majestade” resultou de uma genuína aliança europeia, envolvendo, além da França, estúdios de Itália, Espanha, Hungria e Alemanha.

  • Governo admite aumento de pressão sobre os hospitais

    Coronavírus

    No dia em que o balanço da Direção Geral de Saúde dá conta de 311 mortes e 11.730 casos de Covid-19 em Portugal, o Governo admite que aumentou a pressão sobre os hospitais. Esta segunda-feira, ficou ainda a saber-se que o País já tem um mapa de risco de infeção por coronavírus. Em Londres, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson está internado nos cuidados intensivos. Em Espanha, o número de óbitos desceu pelo quarto dia consecutivo. Já os Estados Unidos ultrapassaram as 10 mil mortes. A pandemia do novo coronavírus já matou, desde dezembro, 73.139 pessoas e infetou mais de 1,3 milhões em todo o mundo.

    SIC Notícias