Cultura

Uderzo criou Astérix há mais de 60 anos

Graça Costa Pereira

Graça Costa Pereira

Editora de Cultura SIC

As primeiras pranchas de "Astérix, o Gaulês" surgiram em 1959, na revista Pilote, que tinha sido acabada de lançar, em França. Uderzo e Goscinny já eram amigos e companheiros de trabalho, nessa altura. Albert Uderzo morreu hoje, aos 92 anos.

Filho de pais italianos, Albert Uderzo nasceu a 25 de abril de 1927, em França. Ainda criança, descobriu o gosto pelo desenho e ainda nem tinha feito 20 anos quando começou a trabalhar nas Éditions du Chéne. São dele personagens como Flamberge, Clopinard, Zartan, Zidore ou Belloy l'Invulnérable.

Quando, no início dos anos 50, Albert Uderzo e René Goscinny se cruzaram, logo começaram a colaborar entre si e surgiram novas histórias e novas personagens da BD: Humpá-Pá, João Pistolão e Luc Junior.

O nascimento a revista francesa Pilote veio mudar muita coisa no crescente mercado da banda desenhada e foi nela que nasceram as primeiras pranchas de Astérix, o Gaulês. A revista mal tinha sido criada e já imprimia 300 mil exemplares. Nos anos seguintes, a dupla não deixou de trabalhar e, em 1967, "Astérix e os Normandos" teve uma tiragem de um milhão de exemplares.

Uderzo e Goscinny criaram o Studio Idéfix e dele saíram muitos desenhos animados e o clássico "Os 12 trabalhos de Astérix".

René Goscinny morreu aos 51 anos, em 1977, mas Albert Uderzo manteve atividade e lançou-se sozinho nas histórias de Astérix. Passou a escrever, para além de desenhar, as aventuras do gaulês.

Já neste século, em 2011, a editora Hachette comprou as Éditions Albert René, empresa fundada por Uderzo após a morte de Goscinny. Essa mudança, com Uderzo já com mais de 80 anos de vida e 70 de carreira permitiu ao autor francês a reforma e o merecido descanso, depois de uma vida criativa e que já tinha deixado uma marca indelével na literatura e na banda desenhada, em todo o mundo.
Uderzo descansou, mas não parou por completo. Os álbuns 35 e 36 de Astérix, já produzidos pelos autores Jean-Yves Ferri e Didier Conrad contaram com a colaboração do pai das famosas personagens.

"A Filha de Vercingétorix" é o mais recente livro da nova dupla e foi editado no último trimestre do ano passado.

Desde que foi criado, há mais de 60 anos, o fenómeno Astérix vendeu mais de 380 milhões de exemplares em todo o mundo e está traduzido em 11 línguas (em Portugal, está traduzido também em mirandês).

Albert Uderzo, um dos nomes maiores da literatura francesa, morreu em casa, vítima de problemas cardíacos (não relacionados com a COVID-19). Tinha 92 anos.

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