Cultura

Sem concertos, sem sustento. A música parou e estas vidas também

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O mundo vibrante, ruidoso e grandioso dos espetáculos musicais passou a ser cinzento, depressivo e doloroso para quem dele vive. Quase todos tentam encarar o momento de forma positiva, mas as dificuldades falam mais alto do que a esperança. Esta é a história, dos visíveis e invisíveis, que dedicam a vida à arte.

Aqui, todos são colocados em cima do palco, debaixo do mesmo holofote, como colegas de profissão que estão a viver dificuldades semelhantes devido à pandemia de Covid-19.

Artistas, músicos contratados, técnicos de som e de iluminação, roadies, road managers, agentes e promotores viram o ano a ser cancelado, adiado, suspenso. Quem não trabalha no mundo da música, não conhece estes termos tão específicos, até porque quando se fala no mundo dos espetáculos musicais a fórmula costuma ser "os músicos e a equipa técnica" - bem mais simples para o entendimento geral, mas simplista demais para retratar o mundo dos espetáculos ao vivo.

Os profissionais da área estavam prestes a entrar na época alta quando começaram a ser informados que os concertos tinham sido suspensos por tempo indeterminado. Dizem que 2020 ia ser um ano de muito trabalho, com muitos concertos agendados. Era o ano em que muitos tinham depositado a esperança de conseguir fazer uma poupança ou pagar dívidas que foram contraindo para comprar material.

Ana Luísa Monteiro

Uma família que vive da música

Vasco e Joana vivem de e para a música há cerca de duas décadas - ele há mais tempo do que ela - e agora veem-se a "bater com a cabeça nas paredes" para chegarem a uma forma de se reinventarem num tempo nunca antes vivido. Mesmo quando a crise financeira bateu à porta em 2010, criaram formas de contornar a situação com micro-projetos que permitiam arrecadar algum dinheiro. E, por isso, nem os tempos da tão falada Troika são passíveis de comparação com o momento atual.

"O que acontece é que agora, não podemos tocar, não podemos fazer nada. Estamos sem saber o que havemos de fazer com a nossa atividade", explicou Vasco.

No discurso, que foram intercalando entre eles, há sempre um tom de naturalidade, de "quem sabe ao que vai", de quem sabe que vai "andar sempre à rasca" a gerir dinheiro. É um dado adquirido. Não existem ordenados fixos mensais e na hora de gerir orçamentos, a ginástica tem que ser diferente da maioria das casas portuguesas. Fazem concertos, com projetos individuais ou em conjunto, destinam o cachê aos meses seguintes e até agora o sistema tem vindo a funcionar. Até agora.

Vasco tinha como objetivo para este ano juntar dinheiro, visto que tinha aproveitado os anos anteriores para fazer investimentos. Esperava "estar com um ano de avanço" e que lhe permitisse aguentar vários meses caso não tivesse concerto. "Mas ainda não estava nesse campeonato", admitiu. Questionado se sentia que este tinha sido um grande golpe, respondeu que não vê a situação dessa maneira, e continuou:

"-Realmente o que acontece é que nós agora estamos aqui a pensar...

-Como é que vamos sobreviver, é verdade", interrompeu a Joana.

-Sim, como é que vamos ganhar dinheiro..."

Lá em casa são quatro: o Vasco, a Joana e as duas filhas, ainda pequenas. Ainda não tinha sido declarado o estado de emergência quando começaram a ver os concertos agendados a "cair". "Começámos a ver as coisas todas a serem adiadas...as de março e abril. Depois começaram a cair as de maio. Entretanto está o verão todo cancelado."

As conversas com amigos levavam a crer que a situação iria ser passageira, que era uma questão de dois ou três meses até retomarem a atividade.

"V: E começámos a pensar. Bem... Isto agora vai estar aqui. Mas ainda estávamos naquela...

J: A partir de Junho, isto vai abrir...

V: Bem, vamos estar aqui um ou dois meses, com isto parado...

J: Agora é que começámos a sentir.

SIC Notícias: Agora caiu a ficha?

V: Sim. Já caiu há algum tempo.

Para além de músicos, intérpretes, são também compositores, produtores, criadores. Um rol de funções que os obriga a investir muito tempo na criação de uma obra e dinheiro em material, em horas de estúdio e de gravação. Não existe margem para poupanças. "A poupança do músico talvez seja essa: investes em material e em coisas que possam fazer com que faças espetáculos melhores e isso te traga mais rendimentos", explicou Vasco.

Hesitou em dizer que o dinheiro que ganha é pouco. Voltou atrás e corrigiu. "Pouco não é a palavra. Está todo destinado, percebes? Às vezes tiramos (dinheiro para poupar), mas depois temos de lá ir buscar outra vez. Portanto, de repente, até podes ganhar muito dinheiro, mas aquilo não é muito dinheiro, porque metade já é para pagar coisas que ficaram e a outra metade é para te aguentares uns quantos meses".

Conhecidos por projetos como Dazkarieh, Seiva e OMIRI, Joana e Vasco trabalham na cena alternativa - que funciona num circuito mais pequeno - e que, segundo eles, não enche praças. Tal como muitos outros artistas e músicos na mesma situação, candidataram-se a vários apoios, desde o fundo disponibilizado pela Câmara Municipal de Lisboa, até aos projetos da DGArtes. Aguardam ainda novas informações da Segurança Social, porque têm o estatuto de sócio-gerente, para saber se serão abrangidos pelos apoios do Governo.

Não consideram os apoios suficientes e o descontentamento é geral neste aspeto. Joana, aliás, insistiu em vincar que o "milhão de euros para a DGArtes distribuir subsídios" é "muito, muito pouco", quando existem milhares de pessoas sem trabalho. "Temos pago todos os meses 200 euros cada um de Segurança Social quando às vezes nem tirámos ordenado, e pagamos Segurança Social à mesma. Neste momento nem sequer temos direito, enquanto sócios-gerentes, ao apoio da Segurança Social."

Os invisíveis

Costumam usar roupas discretas, estar longe do olhar do público, escondidos no palco ou na régie a mexer em botões que parecem todos iguais. Mas são estes 'vultos' que garantem o espetáculo. São eles que chegam em primeiro e saem em último lugar - tal como aconteceu com a pandemia, caso queiramos fazer uma analogia, em que foram os primeiros a parar e serão os últimos a retomar a atividade.

Talvez não se importem de viver na sombra de caras conhecidas em tempos normais. Mas agora precisam de dar a cara, ou a voz.

Na época em que há mais espetáculos, durante o verão, correm o país de norte a sul, acomodados em carrinhas, que os levam às terras mais refundidas de Portugal. São pessoas que acumulam funções, que trabalham, por vezes, em condições adversas.

A situação económica nem sempre é fácil de gerir. Trabalham a recibos verdes, agarram os trabalhos que vão aparecendo, mesmo quando não são esperados. Assim tem de ser para quem vive do mundo do espetáculo. Para subsistir é preciso continuar. Mas quando o mundo pára, como é suposto continuar?

É dentro de uma régie, por trás de uma mesa de mistura, que costuma estar Mário Correia, técnico de som. Depois de 20 anos de estrada e de uma crise financeira, é a primeira vez que é obrigado a estar em casa, a preparar o primeiro concerto que vai ter assim que lhe seja permitido trabalhar. A formar-se ainda mais para fazer um trabalho melhor.

Já operou em coliseus e pavilhões, já fez uma tour mundial, e já tocou em centenas de festas de santos populares. Confessa que a nível familiar tem pouca ajuda - um auxílio que tem sido essencial para muitos outros - e que só em 2020 é que conseguiu destinar o dinheiro de uma poupança para passar umas férias fora de Portugal.

"Como é que eu vou pagar a renda", atirou quando lhe foi feita a primeira pergunta sobre as preocupações que mais o consomem neste momento. "Claramente, o meu maior problema, a minha maior ansiedade - digamos assim - era como pagar a renda". O senhorio até facilitou, contactou-o e deixou-o à vontade para adiar algumas prestações. Mas Mário não quis. "Estou a tentar. Enquanto puder vou pagar. Enquanto conseguir vou fazê-lo porque o meu senhorio também tem as suas despesas, tem uma família", explicou.

Isto é viver com a corda ao pescoço, "agora a questão aqui é saber quão apertado está o nó". Na visão do técnico, os apoios não são suficientes e chegam até a ser um "pouco humilhantes e ofensivos".

Quanto esperas receber da Segurança Social?

Na verdade, se conseguir receber os 438 euros já me dou por contente.

E quanto pagas de renda?

650 euros.

Candidatou-se ao apoio da Segurança Social, que deverá receber em maio, ao da Fundação Calouste Gulbenkian - que lhe foi recusado - e ao da Câmara Municipal de Lisboa - do qual ainda aguarda uma resposta. Ou seja, desde que deixou de trabalhar, ainda não recebeu qualquer tipo de apoio.

O dia de amanhã será encarado como todos os outros: com apreensão. Num mundo ideal, gostava que o mercado fosse regulado e que a máquina fiscal fosse mais justa até porque, haja ou não trabalho, os impostos têm de ser pagos. Num mundo ideal, a esta hora estava atrás da mesa de mistura, numa terra que nem existe no mapa ou numa grande sala de concertos, a mexer em botões que ninguém sabe para o que servem.

"Estou desejoso de voltar a trabalhar", desabafou.

Quem já esteve muitas vezes ao lado de Mário, a partilhar régie, foi o técnico de iluminação Pedro Ramos, de 39 anos. Começou "na vida dos audiovisuais" a 10 de setembro de 2001 - fez questão de frisar - já lá vão quase 19 anos.

Conseguiu receber o cachê de alguns trabalhos que tinha feito este ano, o que lhe permite viver com um pouco mais de descanso. Candidatou-se também ao apoio da Fundação Gulbenkian, mas sem sucesso. Recebeu um e-mail a dizer que o programa se destinava a "música erudita". Porém, o apoio da Segurança Social já "entrou no dia 28".

O dia de amanhã é encarado por Ramos de forma positiva. "E que chegue depressa", avisou. "Não é só por uma questão monetária, falo mesmo do psicológico".

Na estrada, é provável que Mário, Ramos e Pedro - roadie/técnico de backline - já se tenham cruzado. De alguma forma, pertencem todos à mesma escola porque começaram a viver do mundo dos espetáculos praticamente na mesma altura, apesar de todos desempenharem funções distintas.

Num concerto, cabe a Pedro tomar conta dos equipamentos que os músicos utilizam, tratar da sua manutenção, da sua montagem e da desmontagem, bem como minorar e resolver qualquer problema que possa surgir durante o espetáculo. É mais um dos muitos que se tentam manter discretos, porque a sua função assim o exige.

Na vida, os problemas agora são outros. Há uma pandemia que, desde o início, percebeu que ia "ser uma coisa extremamente dramática" para o setor onde trabalha. "É uma tragédia. É uma tragédia para todos nós porque não temos outra fonte de receita", afirmou. Considera que os trabalhadores independentes são bastante penalizados em relação aos outros e que, apesar de se preconizar o lema de "vai ficar tudo bem", o sentimento é que "vais mesmo ficar para trás."

Em termos de poupanças, é uma "pessoa muito organizadinha com as contas" e sempre tentou fazer uma gestão metódica do dinheiro, até para conseguir sobreviver numa altura que o trabalho é inexistente e assim pode continuar a ser ao longo de vários meses. Mas, mesmo com todas essas cautelas, prevê que as poupanças comecem a "ser devoradas mensalmente", sem que haja qualquer retorno para repor o pé de meia.

Borges também pediu o apoio à Segurança Social e à Câmara de Lisboa, apesar de não acreditar que alguma entidade lhe vá dar alguma coisa, num tempo em que "é o salve-se quem puder".

Os dias avizinham-se "cinzentos, mesmo muito cinzentos", segundo o roadie, com a perspetiva de um retrocesso brutal na área da cultura. Pondera deixar a estrada. Aceita o que aconteceu, que "não é culpa de ninguém", mas não pode ficar sentado em casa à espera que tudo passe, à espera da "esmola do Estado".

"Eu também não quero esmolas, eu quero continuar a trabalhar e quero ser uma pessoa ativa na sociedade. E se a minha área já não me proporciona isso vou ter de procurar outras opções", admitiu.

Os 70 palcos que ficaram por pisar

“O que é que eu vou fazer da minha vida agora?”, questionou David Lacerda, baterista, que trabalha como músico freelancer há cerca de dez anos, mesmo sabendo que ninguém – incluindo o próprio – saberá responder a tal pergunta. A dúvida e a incerteza consomem e desgastam quem continua a tentar trabalhar num setor estagnado.

Tinha 70 concertos apontados na agenda para este ano, fora aqueles que ainda podiam eventualmente surgir ao longo do ano. “Ia conseguir organizar-me financeiramente”, conta. Agora, não sobra um. Ficam por pisar dezenas de palcos, ficam por pagar investimentos que já tinham sido feitos. O desespero ganha força.

Dá aulas online para conseguir, pelo menos, pôr gasóleo para ir para o estúdio para poder trabalhar. Conta com a ajuda de toda a família, especialmente do irmão, que lhe tem “dado imenso apoio”.

“Agora tenho que dosear muito bem as vindas a estúdio, porque os rendimentos que tenho não me permitem isso. Não consigo, até por causa do gasóleo”, confessou, explicando que na ausência da sua bateria consegue estudar com uns ‘pads’ que tem em casa.

Continuar a estudar e a tocar bateria, não só são momentos que servem para dar uma folga à realidade, como também são essenciais para quando tiver de retomar a atividade. “Temos de estar sempre a lutar pelo nosso trabalho, diariamente”.

Mesmo assim, a visão que tem é que a profissão continua a ser desvalorizada ou, pelo menos, deturpada. David diz que as pessoas afirmam com facilidade: “Eles ganham 500 euros por show”; mas não pensam nas horas de ensaios, nas horas que esteve “fechado num estúdio”, nos problemas musculares que o obrigaram a fazer fisioterapia, nem no investimento feito em todo o material. “Se eu gastar 200 euros num prato (de bateria) e se eu receber 250 euros, aquele show já foi”, exemplifica.

No entanto, recusa-se a desistir – apesar de já ter considerado colocar a música em segundo plano – e não quer pensar muito no dia de amanhã, porque o risco de ficar em pânico é muito alto. Tenta viver um dia de cada vez e desligar da realidade quando tem oportunidade de ir para o seu estúdio.

“Ter as nossas famílias protegidas é tudo. Posso não ter dinheiro...se a minha família estiver bem, eu sou feliz. Se pensar agora como vai ser o amanhã, vou ficar maluco da cabeça e vou entrar em depressão”.

23 anos de um sonho que só agora foi travado

Começou a “trabalhar por brincadeira” aos 15 anos. “Sempre quis fazer isto desde miúdo. Nem foi aquela coisa de querer ser músico. Eu olhei para os técnicos, olhei para a parte da organização e disse: eu quero fazer aquilo”, contou Pedro Canarias, road manager. A sua função é garantir que nada falha num espetáculo, tratando de elementos da logística de organização, como o ponto de encontro dos músicos e técnicos, do hotel, das refeições, dos horários, da entrada em palco, etc.

O inverno passado foi de muito trabalho e, até à pandemia do coronavírus se ter agravado, trabalhou sem parar. Foi entre 10 e 11 de março que lhes foi pedido que suspendessem todos os concertos, antes de ser decretado o estado de emergência. Foi durante essa semana que começou a ficar apreensivo.

Acha que qualquer pessoa acaba por passar dificuldades numa altura destas, mas tenta olhar para as coisas positivas e pensar que acaba por ser um privilegiado quando olha para o lado e vê colegas que já estão a passar fome.

É uma das pessoas que acredita que até ao final do ano “não vai haver nada”, pelo menos, que exija o ajuntamento de milhares de pessoas. Admite sim, que possam haver pequenos concertos, em salas com a lotação limitada e com a distância entre as pessoas, mas não acredita que será fácil conseguir a adesão do público. “Acho que as pessoas vão perceber que não faz sentido gastar dinheiro numa experiência destas, porque quando vão a um concerto vão acompanhadas e querem partilhar essa a experiência com a pessoa com quem foram, ou até mesmo com a pessoa do lado.”

Teme, por isso, que algumas empresas de audiovisuais sejam obrigadas a fechar portas, que alguns promotores desistam de contratar as bandas. Peças fundamentais “desta máquina” que fazem parte do “castelo de cartas”, que está em risco de colapsar.

A vida familiar ficou em “stand by”. O desejo de comprar uma casa e de ter um filho “num futuro muito breve” ficaram para o dia em que comecem a existir perspetivas de futuro. E esse dia não é hoje, nem será tão pouco amanhã.

Para ajudar a equilibrar as contas de casa, pediu o subsídio da Segurança Social – “que é evidentemente curto”- porque tem de continuar a descontar. É um jogo de empurra o dinheiro: “Eles dão-me dinheiro e eu empurro uma parte para eles”. Tal como milhares de freelancers, tem ainda de descontar em meses que não tem trabalho.

“Mas atenção, ao trabalhar neste setor, isto é para o bem e para o mal, eu sei onde estou inserido. É estranho, mas eu aceito.”

O promotor de espetáculos que defende “uma certa ginástica”

Reajustar é a palavra de ordem. E para isso é preciso que todos os que fazem parte do mundo do espetáculo se preparem para a ginástica necessária nos próximos meses. Esta é a perspetiva de Luís Bandeira, agente e promotor de espetáculos, dono de uma empresa de agenciamento que conta com duas marcas: a “Pinuts” e a “Beware”, onde é trabalhada a assessoria de imprensa.

Acredita que é possível retomar espetáculos em salas fechadas, num futuro próximo. “Se numa sala para 200 pessoas, permitirem uma lotação para 75 ou 100 pessoas, que seja, ficas sempre a um metro e meio, dois metros, da outra pessoa. O pessoal tem é que ir protegido, isso é que não pode deixar de ser. Não podes ir sem a devida máscara”, adverte.

Trabalha, maioritariamente, com artistas estrangeiros e, como era expectável, sofreu uma grande quebra na faturação nos últimos meses. Porém, mantém-se no circuito a tentar contratar artistas para o final do ano, ou início do próximo, até porque algumas salas portuguesas estão a permitir fazer pré-reservas para o ano que vem. A única questão que o impedirá de continuar a marcar concertos é se, nos próximos tempos, as salas portuguesas decidirem dar primazia aos artistas nacionais. “Compreendo isso perfeitamente. Há que ajudar os nossos”.

No seu catálogo conta com alguns artistas portugueses, que tem acompanhado de perto, apesar de todos estarem parados. Mas há que pensar no futuro. Há que “arranjar maneira de pôr isto tudo a funcionar agora, para depois funcionar no final do ano, ou no princípio do ano que vem”. Deixa ainda uma mensagem aos artistas: “não deixem de lançar o discos, ou o vídeo, ou o single”, porque “a imprensa, as rádios, as televisões não pararam”.

Há uma esperança dentro de Luís quase inabalável. Admite quebras, tal como estão a acontecer agora, mas acha que aos poucos e com paciência é possível voltar a reerguer a indústria. Mas para tal, vai ser necessária a tal ginástica: “Todas as pessoas envolvidas, desde agências, managers, artistas, editoras, salas de espetáculos, promotores...vamos ter todos de fazer uma ginástica”.

E dá as indicações que considera importantes: os preços dos bilhetes devem manter-se independentemente da lotação da sala, as salas têm que pedir menos dinheiro de aluguer “por muito que doa – que vai doer a toda a gente” e as licenças deviam ser mais baixas. Fica aqui apenas um último conselho para todos os que participam neste duro exercício: “Se não houver uma conjugação de fatores e se não estivermos todos ligados para pôr isto a funcionar, vai ser muito mais difícil.”

Apoios no setor da cultura:

  • Fundação Calouste Gulbenkian - Apoio de Emergência a Artistas e à Cultura (Música - prioritário para músicos na área da música Clássica e Jazz) - Candidaturas fechadas
  • Min. Cultura / DGArtes - Linha de Apoio de Emergência ao Setor das Artes - Candidaturas fechadas
  • GDA, Gestão dos Direitos dos Artistas - Plano de Emergência de Apoio a Artistas AARTE - destinado a cooperadores da GDA.
  • CM Lisboa: Fundo de Emergência Social (FES) vertente cultura: Apoio a trabalhadores independentes do setor cultural e apoio a estruturas do setor cultural