Cultura

Sessão de Cinema: “Parasitas”

Opinião

O filme da Coreia do Sul foi consagrado em Cannes e nos Óscares

Vencedor do Festival de Cannes, depois premiado em Hollywood, “Parasitas” é um dos títulos centrais na internacionalização do fenómeno cinematográfico.

Poderá o espectador dizer que “Parasitas”, de Bong Joon-ho, é um filme que não necessita de apresentação. Assim será, sobretudo se recordarmos que, na produção de 2019, o seu triunfo se saldou por, pelo menos, duas especialíssimas distinções: primeiro, a Palma de Ouro em Cannes; depois, em Hollywood, o Oscar de melhor filme do ano (o primeiro título não falado em inglês a conseguir tal proeza).

Seja como for, o seu aparecimento numa plataforma de streaming justifica que sublinhemos um fenómeno com efeitos práticos e simbólicos que estão longe de ser banais. A saber: a crescente importância dos filmes “estrangeiros”, não falados em inglês, nos mercados europeu e norte-americano. Temos, aliás, este ano, um sinal mais de tal fenómeno: a dupla nomeação — para melhor filme internacional e melhor documentário — de “Collective”, produção romena assinada por Alexander Nanau.

Nada disto será estranho à crescente internacionalização dos circuitos de produção e difusão dos filmes — passou mesmo a ser frequente depararmos, por exemplo, com produções de Hollywood com financiamentos de origem asiática. Mas importa acrescentar que nada disso resulta apenas dos laços económicos, sendo indissociável dos… filmes.

Lembremos, por isso, que a força de “Parasitas” nasce do poder universal da sua narrativa: uma parábola realista, particularmente desencantada, sobre o confronto de duas famílias e, através delas, as muitas clivagens sociais. Ou ainda: uma história da Coreia do Sul em que podemos encontrar personagens e situações que ecoam no nosso imaginário.

Filmin