Cultura

Sessão de Cinema: “Lamento de uma América em Ruínas”

Glenn Close sob a direcção de Ron Howard: será desta vez que ganha o Óscar?

Com a sua interpretação em “Lamento de uma América em Ruínas”, de Ron Howard, Glenn Close obteve a sua oitava nomeação para um Óscar — e nunca ganhou…

De todos os filmes que estão na corrida dos Óscares referentes a 2020, “Lamento de uma América em Ruínas”, de Ron Howard, é o que tem aquela que é, por certo, a nomeação mais nostálgica: Glenn Close, na categoria de melhor actriz secundária.

Trata-se, de facto, da sua oitava nomeação, até agora sem ter ganho qualquer estatueta dourada. Dir-se-ia que a situação é tanto mais insólita, e também sugestiva, quanto a actriz americana (74 anos celebrados a 19 de março) surge, aqui, numa das suas mais extremas transfigurações físicas, interpretando a matriarca de uma família em crise de identidade. Aliás, tal transfiguração não é estranha a um elaborado trabalho de caracterização, de tal modo que o filme tem apenas mais uma nomeação, precisamente na categoria que agora se designa por “maquilhagem e tratamento de cabelos”.

O título original, “Hillbilly Elegy”, é o mesmo do livro em que se baseia: trata-se de uma memória autobiográfica de J. D. Vance (n. 1984), escritor e empresário que quis registar as convulsões da sua juventude, ao mesmo tempo observando os costumes da região de Appalachia, de onde é natural. Deparamos, assim, com uma recuperação de um modelo clássico de melodrama familiar, exemplarmente explorado no período clássico de Hollywood, em particular por um cineasta como Vincente Minnelli (1903-1986).

Ainda que tenha tido um impacto moderado, “Lamento de uma América em Ruínas” não deixa de ser um curioso objecto na actual produção “made in USA” (dentro ou fora das plataformas de streaming). Por ele passa, afinal, o gosto de um cinema que não desiste dos actores como elementos fulcrais da sua complexidade humana — Glenn Close, vale a pena lembrar, surge acompanhada, entre outros, por Amy Adams, Gabriel Basso, Haley Bennett e Freida Pinto.

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