Cultura

Escritor David Diop é o primeiro francês distinguido com o prémio Booker Internacional

DR

Pelo romance "At Night All Blood is Black", inspirado na história de seu avô.

O escritor francês de origem senegalesa David Diop conquistou, na quarta-feira, o prémio Booker Internacional, pelo romance "At Night All Blood is Black", traduzido do inglês por Anna Moschovakis, anunciou o júri.

Diop, nascido em Paris em 1966, é o primeiro autor francês distinguido com o Booker Internacional, e impôs-se a outros cinco finalistas: "The Dangers of Smoking in Bed", da argentina Mariana Enríquez (traduzido por Megan McDowell), "When We Cease to Understand the World", do chileno Benjamín Labatut (Adrian Nathan West), "The Employees", da dinamarquesa Olga Ravn (Martin Aitken), "In Memory of Memory", da russa Maria Stepanova (Sasha Dugdale), e "The War of the Poor", do francês Éric Vuillard (Mark Polizzotti).

O prémio Booker Internacional reconhece, todos os anos, uma obra de ficção traduzida para inglês a partir de outra língua.

Com uma dotação de 50 mil libras (cerca de 58 mil euros), é repartido equitativamente entre o autor da obra escolhida e o tradutor para inglês.

"At Night All Blood is Black" ("À Noite o Sangue É Sempre Negro", em tradução livre) é o segundo romance de Diop, e narra a experiência de um soldado senegalês, nas trincheiras francesas durante a Grande Guerra de 1914-1918, "uma trama marcada pela violência e a nostalgia que se precipita na loucura".

A obra, de acordo com o autor, foi inspirada no história de seu avô.

Diop, professor de Literatura na Universidade de Pau, no sudoeste de França, reagiu à atribuição do prémio e garantiu estar a viver "um sonho feito realidade", alegria que partilhou com a tradutora Anna Moschovakis.

A presidente do júri, Lucy Hughes-Hallett, sublinhou o "poder aterrador" da obra premiada, e a "visão obscura e brilhante".

"At Night All Blood is Black" fora já distinguido com o prémio Strega, de Itália, e o prémio Goncourt Estudante, de França, entre outros galardões.

O júri desta edição do prémio foi composto pela historiadora Lucy Hughes-Hallett, que presidiu, pela jornalista Aida Edemariam, pelo escritor Neel Mukherjee, pela professora de História da Escravatura Olivette Otele e pelo poeta e tradutor George Szirtes.

Duas das obras finalistas estão publicadas em Portugal: "Um Terrível Verdor", de Benjamín Labatut (lançado pela Elsinore, em janeiro do ano passado), e "A Guerra dos Pobres", de Éric Vuillard (editado pela Dom Quixote, em março de 2020).

No ano passado, o livro vencedor foi "The Discomfort of Evening", de Marieke Lucas Rijneveld, dos Países Baixos, com tradução de Michele Hutchison.

  • Vamos falar de jejum: era capaz de ficar 16 horas por dia sem comer?

    País

    O jejum intermitente é um regime alimentar que impõe um período de restrição alimentar. Existem vários modelos, mas o mais conhecido é dividido em 16 horas de jejum e oito horas em que pode comer livremente. Os especialistas reconhecem benefícios nesta prática, mas afirmam que a investigação científica ainda é escassa.

    Exclusivo Online

    Filipa Traqueia