Cultura

Sessão de Cinema: “O Acossado”

Opinião

Jean-Paul Belmondo, em "O Acossado": "à maneira de" de Humprey Bogart

Falecido aos 88 anos de idade, Jean-Paul Belmondo teve um momento decisivo de afirmação, em 1959, sob a direcção de Jean-Luc Godard — eram os tempos heróicos da Nova Vaga francesa.

Foi em 1959. Jean-Luc Godard estreava-se na longa-metragem com “O Acossado” (título original: À Bout de Souffle”), contando uma história a meio caminho entre o policial americano e o melodrama europeu, elegendo como figura principal um actor que, não sendo exactamente um desconhecido, estava longe de ser uma estrela: Jean-Paul Belmondo.

Falecido no dia 6 de setembro, contava 88 anos, Belmondo impôs-se, assim, como símbolo da Nova Vaga francesa — sendo “O Acossado”, justamente, uma das suas bandeiras, a par de “Os 400 Golpes”, de François Truffaut, e “Hiroshima, Meu Amor”, de Alain Resnais, ambos lançados no mesmo ano. Ele era, afinal, um actor de presença natural, sem artifícios, ao mesmo tempo que evocava algumas figuras lendárias do cinema “noir” de Hollywood, a começar, claro, por Humprey Bogart.

Contracenando com Jean Seberg — a jovem estrela de “Bom Dia, Tristeza” (1958), adaptação de François Sagan com assinatura de Otto Preminger —, Belmondo vivia uma aventura parisiense, pontuada por golpes e contra-golpes, que Godard transformava numa reflexão filosófica sobre o amor: em jogo estava o cruel contraste entre a entrega e a traição.

Para a história, “O Acossado” ficou como um momento decisivo na evolução do cinema francês e, mais do que isso, uma obra exemplar dos movimentos de transformação que iam marcando as cinematografias de muitos países (Itália, Reino Unido, Portugal, Checoslováquia, Brasil, etc.). Rever, agora, a obra-prima de Godard em streaming é, afinal, revisitar uma conjuntura artística de invulgar e contagiante criatividade.

Filmin

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