Cultura

Jazz e cinema — uma velha aliança

Opinião

Jean Seberg em "O Acossado" (1959): um clássico envolvido na magia do jazz

Do mais clássico ao mais moderno, o jazz ocupa também um espaço importante na paisagem do streaming — a idade do vinil passou a ser uma forma de nostalgia.

Será que o leitor se recorda de um dos clássicos franceses, pré-Nova Vaga, intitulado “Fim-de-Semana no Ascensor”? Exactamente: 1958! Louis Malle encenava uma história de crime e traição em cenários assombrados de Paris, admiravelmente fotografados a preto e branco por Henri Decaë. A memória cinéfila do filme é indissociável das imagens, nomeadamente de Jeanne Moreau, em que a ambiência dramática e melodramática era definida pela banda sonora original de Miles Davis [video].

A música de Miles Davis constitui, aliás, uma das referência míticas da velha e fascinante aliança entre jazz e cinema. Agora, “Fim de Semana no Ascensor” é um dos títulos que podemos revisitar num espaço criado por uma plataforma de streaming [Filmin], dedicado, justamente, ao jazz.

Entre os clássicos “jazzísticos”, estão ainda disponíveis, por exemplo, “O Acossado” (1959), de Jean-Luc Godard, referência emblemática da Nova Vaga, ou “Twin Peaks: Os Últimos Sete Dias de Laura Palmer” (1992), de David Lynch, com bandas sonoras assinadas, respectivamente, por Martial Solal e Angelo Badalamenti.

Em qualquer caso, a oferta maior tem a ver com registos de concertos. E a variedade de nomes é, de facto, impressionante — de Chet Baker, a Duke Ellington, passando por outros clássicos como John Coltrane e Thelonius Monk, ou várias figuras mais recentes, incluindo Brad Mehldau e Avishai Cohen.

Tempos bizarros, estes em que todas as formas clássicas de cinefilia estão a ser desafiadas pelas convulsões do mercado. Provavelmente, para muitos de nós, todos estes nomes foram (e são) referências do mercado dos discos, incluindo os LP do vinil… Agora, a nossa relação com as suas obras tornou-se indissociável das imagens (e dos sons!) em streaming. Porque não?