Cultura

Magazino lança livro "Ao Vivo" onde partilha as memórias e a "luta pela vida"

Há dois anos, o DJ português foi diagnosticado com leucemia e enfrenta uma "fase complicada" da doença.

Magazino é um nome incontornável da música eletrónica portuguesa. Depois de tocar nos maiores e mais conceituados clubes a nível nacional e internacional, o DJ lança, esta quinta-feira, o livro de memórias “Ao Vivo”, escrito em conjunto com a jornalista Ana Ventura. A obra conta as origens do músico, a sua carreira e uma das maiores batalhas da sua vida – a leucemia.

“Sou o ‘rei das misturas’, portanto é um misto dos dois. O livro está dividido em três grandes capítulos, Luís, o Magazino e a luta – não contra o cancro, porque isso já pressupõe algo negativo... Eu luto pela vida. Sobretudo é essa mensagem que eu procuro passar”, explica em entrevista à Edição da Manhã da SIC Notícias.

Entre as memórias que guarda de 25 anos de carreira, Magazino explora também os excessos que cometeu “na noite” e como conseguiu evitar que o consumo de álcool e drogas prejudicasse o amor pela música.

“Na noite, cometi os meus excessos. Estive entre viagens - não só físicas, mas também mentais - fiz as minhas drogas, fiz tudo e mais alguma coisa. Fiz vida de rockstar, se assim se pode chamar. Fiz coisas das quais não me orgulho, mas resolvi escrevê-las”, conta. “Houve momentos em que cheguei à conclusão que não vou beber mais, não vou fazer mais isto ou não vou exceder-me muito mais porque eu queria – e quero – fazer disto vida.”

Sobre a doença que foi diagnosticada há cerca de dois anos, em plena pandemia, Magazino explica que a notícia o deixou revoltado.

“Quando comecei a escrever, percebi que este processos passava por quatro partes: a aceitação da doença – que é muito difícil, mas tive de aceitar –, depois tive que interiorizar, tive de definir um objetivo claro que é a sobrevivência – casos como o meu têm que 25% de hipóteses de sobreviver – e, o quarto passo, é partir com toda a motivação e entusiasmo para superar esta doença”, explica.

Sobre os cinco meses que esteve no hospital, Magazino recorda a dificuldade que enfrentou por não poder receber visitas e os amigos que fez entre os profissionais de saúde. Destaca ainda importância do trabalho das auxiliares de ação médica, que o ajudaram em todos os processos.

Apesar de estar numa “fase complicada da doença”, o DJ não desiste de lutar “pela vida”.

“Estou com muito poucas hipóteses de sobreviver, na verdade. Porque a leucemia está a galopar forte em mim. A quimioterapia que eu vou fazendo, que me vai debilitando em muito o corpo, não está a ter a ação que é suposto, que é limpar a minha medula para poder receber uma medula do dador – que eu tenho, mas não posso fazer esse transplante enquanto eu não limpar a minha medula”, acrescenta.

Numa revisão à sua vida como DJ, Magazino considera-se um “privilegiado” por ter conseguido fazer da música a sua vida.

“Eu sou um privilegiado. Há milhares de miúdos neste país que desejam ser DJ e contam-se, se calhar, pelos dedos de duas mãos aqueles que conseguiram fazer disto vida. E eu sou um privilegiado por pude viajar e conhecer mundo só por tocar discos.”

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