Cultura

Sessão de Cinema: “Cenas da Vida Conjugal”

06.05.2022 13:39

Opinião de João Lopes.

Realizado há quase meio século, o filme de Ingmar Bergman é uma espécie de síntese, subtil e contundente, das suas muitas observações do universo conjugal.

A mini-série “Scenes from a Marriage” (HBO), com Jessica Chastain e Oscar Isaac, suscitou renovado interesse pela realização de Ingmar Bergman (1918-2007) que lhe serviu de inspiração: Cenas da Vida Conjugal, objecto plural, uma vez que, embora difundido como mini-série, existe também como filme de cinema (agora disponível em “streaming”).

Estava-se em 1973 e o menos que se pode dizer é que a carreira de Bergman atravessava um dos períodos de maior impacto internacional. No ano anterior assinara “Lágrimas e Suspiros”, um dos seus títulos mais conhecidos (consagrado com um Oscar, na categoria de melhor fotografia, para Sven Nykvist). “Cenas da Vida Conjugal” poderá definir-se como uma variação, tão intensa quanto minimalista, de um tema transversal a toda a obra de Bergman: as cumplicidades, ambiguidades e traições do território conjugal.

A interpretar o casal que o filme acompanha estão dois dos mais emblemáticos actores do universo bergmaniano: Erland Josephson e Liv Ullmann [vídeo]. O seu labor de representação é tanto mais envolvente quanto Bergman os filma num tom que “quase” faz lembrar uma reportagem — dir-se-ia que estamos perante um turbilhão de paixões, palavras e silêncios que pode sempre conter uma qualquer evidência e o seu contrário.

Distinguido com um Globo de Ouro (melhor filme estrangeiro de 1973), “Cenas da Vida Conjugal” ficou como uma espécie de depurada síntese — de personagens e temas — de um capítulo essencial da filmografia de Bergman. Alguns anos mais tarde, em 1982, o mestre sueco visitaria as suas próprias memórias de infância, com “Fanny e Alexandre”, também uma produção simultaneamente cinematográfica e televisiva.

HBO Max

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