Cultura

Cinerama: um antepassado do IMAX

Foi em 1962: o grande espectáculo segundo Hollywood
Foi em 1962: o grande espectáculo segundo Hollywood

“A Conquista do Oeste” é um exemplo marcante do investimento de Hollywood nos grandes ecrãs — foi há 60 anos.

Um dos aspectos mais desconcertantes do actual comércio do cinema é a limitada aposta nos grandes ecrãs, em particular nas salas IMAX. A regra consiste em reservar tais ecrãs para aventuras de super-heróis, cada vez mais instaladas numa monótona rotina criativa (este ano, o magnífico “Nope”, de Jordan Peele, foi uma das excepções). Uma alternativa, no mínimo, sugestiva — o relançamento de obras clássicas concebidas para ecrãs de grandes dimensões — continua a ser menosprezada.

Como é óbvio, nada disto é linear, quanto mais não seja porque nos últimos 70 anos (entenda-se: desde que a televisão começou a ser uma concorrência forte), a questão dos ecrãs e das suas potencialidades espectaculares tem sido uma componente essencial, plena de sucessos e falhanços, da história industrial e artística do cinema.

Uma alternativa rapidamente abandonada, devido à sua especificidade técnica e custos financeiros, surgiu há 60 anos com a estreia, a 1 de novembro de 1962, de “A Conquista do Oeste” (título original: “How the West Was Won”). A saga da expansão para o Oeste dos EUA, ao longo do século XIX, integra vários capítulos emblemáticos, dos confrontos entre brancos e índios até à construção do caminho de ferro, passando pela Guerra Civil (1861-65) — o filme surgiu no formato Cinerama.

Pode dizer-se que o Cinerama, com o seu gigantesco ecrã foi um antepassado do IMAX. A sua invulgar abertura (de 146º) resultava, na origem, da utilização conjunta de três projectores, cada um correspondendo a um terço da imagem final — na prática, na maior parte das salas de todo o mundo (incluindo as portuguesas), o filme foi projectado em cópias que juntavam, no mesmo fotograma, essas três partes.

A complexidade do projecto fez com que a realização do filme fosse repartida por três cineastas: Henry Hathaway, John Ford e George Marshall. Sem esquecer que o seu elenco é uma verdadeira galeria de luxo de Hollywood, incluindo nomes como Henry Fonda, Agnes Moorehead, Gregory Peck, Debbie Reynolds, Harry Dean Stanton, James Stewart e John Wayne.

Nas bilheteiras, “A Conquista do Oeste” foi um sucesso estimável, mas relativo, longe dos títulos de maior impacto desse ano de 1962, com destaque para “Lawrence da Arábia”, de David Lean, outro caso de exploração dos grandes formatos. Seja como for, este é um exemplo de como a produção cinematográfica (a começar por Hollywood) sempre investiu na imponência espectacular como uma componente importante da criatividade cinematográfica. Aqui e agora, seria bom que tal questão fosse encarada para lá do domínio restrito dos títulos provenientes dos estúdios Marvel & afins.

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