Cultura

Justine Triet conquista prémio César de melhor realizadora por "Anatomia de uma Queda"

Realizadora de quatro filmes que retratam mulheres, Justine Triet já tinha feito história no Festival de Cannes ao se tornar a terceira realizadora da história a ganhar a Palma de Ouro. "Ser a segunda mulher na história a receber o César", depois de Tonie Marshall em 2000, “é um pouco assustador e ótimo ao mesmo tempo”, sublinhou a cineasta.

Justine Triet conquista prémio César de melhor realizadora por "Anatomia de uma Queda"
TERESA SUAREZ

A realizadora Justine Triet conquistou esta sexta-feira o prémio César de melhor realizadora por "Anatomia de uma Queda", tornando-se a segunda mulher na história a receber este troféu, numa cerimónia marcada pela luta contra a violência sexual no cinema.

O 'thriller' policial deu continuidade à coleção de prémios iniciada em Cannes e está também na corrida aos Óscares com cinco indicações, incluindo melhor realizadora.

"Ser a segunda mulher na história a receber o César", depois de Tonie Marshall em 2000, "é um pouco assustador e ótimo ao mesmo tempo, dá-nos esperança para o futuro", sublinhou a cineasta, ao receber o prémio atribuído pela Academia de Artes e Técnicas Cinematográficas francesa durante a cerimónia que decorreu em Paris.

Realizadora de quatro filmes que retratam mulheres, Justine Triet já tinha feito história no Festival de Cannes ao se tornar a terceira realizadora da história a ganhar a Palma de Ouro, em maio.

"Anatomia de uma Queda" teve em destaque, também com o prémio pelo papel secundário de Swann Arlaud, Melhor Cenário e Melhor Edição.

Numa cerimónia que ficou marcada pela luta contra a violência sexual no cinema francês, na interpretação, entre as favoritas, a atriz alemã Sandra Hüller ("Anatomia de uma Queda") ganhou o César de Melhor Atriz.

TERESA SUAREZ

Outros prémios

O francês Raphaël Quenard ganhou o César de Melhor Revelação Masculina por "Cão do ferro-velho".

O filme "Linda veut du poulet!", de Chiara Malta e Sébastien Laudenbach, conquistou o César de Melhor Filme de Animação, que tinha na lista de nomeados o "Interdito a Cães e Italianos", de Alain Ughetto, com coprodução da portuguesa Ocidental Filmes, e "Mars Express", de Jérémie Périn.

A realizadora tunisina Kaouther Ben Hania e o ator franco-belga Arieh Worthalter pediram um cessar-fogo em Gaza ao receberem os César de Melhor Documentário por "The Girls of Olfa" e Melhor Ator por "The Goldman Trial".

"Também me uno ao apelo ao cessar-fogo em Gaza porque a vida assim o exige, a dos habitantes de Gaza e dos reféns, porque estamos unidos como espécie", frisou o ator, de 38 anos.

Arieh Worthalter interpreta o enigmático Pierre Goldman, 'gangster' e ativista de extrema-esquerda, acusado do assassinato de dois farmacêuticos em 1976 neste filme de Cédric Kahn.

"Parar de matar crianças está a tornar-se uma exigência radical", sublinhou, por sua vez, Kaouther Ben Hania, quando subiu ao palco e depois de prestar homenagem em particular ao opositor russo Alexei Navalny, que morreu há uma semana, e ao fundador do Wikileaks Julian Assange, que aguarda para saber se a justiça britânica lhe concederá um último recurso contra a sua extradição para os Estados Unidos.