Cultura

A história oculta do Claustro da Sé de Lisboa: obras de restauro revelam segredos com vários séculos

As escavações arqueológicas revelaram vestígios de várias civilizações e sepulturas da elite lisboeta dos séculos XIII e XIV. 

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O Claustro da Sé Patriarcal de Lisboa, um dos espaços mais emblemáticos da cidade, permanece fechado desde 2018 para obras de restauro e conservação. As escavações arqueológicas realizadas no local têm revelado vestígios que ajudam a compreender melhor a história do monumento. A reabertura está prevista para 2026.

Este trabalho de restauro foi realizado ao longo de vários dias, com o objetivo de recuperar peças que aqui permanecem, em alguns casos, há vários séculos.

Foi necessário um estudo que juntou história e arqueologia. O claustro da Sé Patriarcal de Lisboa servia como zona de circulação, introspeção e meditação para a comunidade religiosa.

No entanto, acabou por assumir outra função: uma parte dos objetos aqui encontrados revela que, no final do século XIII e início do século XIV, foi também utilizado para acolher sepulturas reservadas à elite lisboeta.

Cada peça foi intervencionada ao detalhe, com técnicas apropriadas a cada um dos materiais.

Este trabalho seguiu-se a outro, de maior escala, que envolveu o restauro do edifício. A Sé foi construída no reinado de D. Afonso Henriques, após a tomada de Lisboa aos mouros, mas as paredes do claustro gótico só foram erguidas anos mais tarde, já no reinado de D. Dinis.

Quando, em 1990, foi retirado o jardim no interior do claustro, foi desvendado um património de séculos. Escavações arqueológicas feitas ao longo dos anos revelaram uma imensa história da cidade de Lisboa, lar de civilizações islâmicas, romanas, medievais e até da Idade do Ferro.

Fazem parte de um conjunto de 30 moedas da coleção romana e 40 da coleção islâmica, que serão expostas no núcleo museológico, que irá nascer na cripta do Claustro. Deverá incluir outras peças, que, antes de serem vistas pelo público, passam por vários processos de limpeza e identificação, num laboratório de conservação e restauro.

Os mais de dois metros de altura de Nossa Senhora a Grande impediram a viagem para o laboratório. A imagem, datada do século XIV, já terá tido um lugar no interior da Sé, mas, depois de substituída por uma mais moderna, foi ficando esquecida numa das capelas do Claustro.

A Sé de Lisboa, um dos símbolos da capital, reflete mais de 800 anos de vida. É visitada diariamente por milhares de pessoas, mas muitas nem imaginam os séculos de história que têm aos pés.

O investimento conjunto da Direção-Geral do Património Cultural, do Cabido da Diocese de Lisboa e de Fundos Europeus é de quase nove milhões de euros. Este investimento ajudará a preservar o edifício e as peças que o público poderá visitar a partir de 2026.