Cleia Cunha é uma das artistas residentes do atelier que a Associação P28 instalou no Hospital Júlio de Matos, em Lisboa. Começou por pequenos desenhos, mas já se sente bem entre telas de dois metros de altura.
"Senti uma liberdade muito grande. Eu acho que para mim é uma forma de arte. É a liberdade, a arte abstrata, libertar-se e colocar-se dentro do quadro", diz Cleia Cunha.
No hospital, é utente e artista. O tempo que passa no atelier vai muito além de colorir telas e folhas.
"Representa a felicidade, o prazer de viver. Representa as minhas emoções, que por vezes são muito negativas, mas depois consigo puxar para algo positivo quando começo a pensar na arte."
Esta sexta-feira, Dia Internacional da Saúde Mental, Cleia integrou o grupo que traçou, com o apoio do artista plástico Pedro Cabral Santo, as primeiras linhas de um novo projeto.
A Associação P28 faz questão que os artistas, entre tratamentos e consultas no hospital psiquiátrico, sejam reconhecidos pelo trabalho artístico e não pelo diagnóstico que receberam.
As oito pinturas produzidas pelo grupo vão ser expostas a partir de 27 de novembro na galeria P28 do Hospital Júlio de Matos.