Desporto

Instrução do ataque à Academia de Alcochete arranca hoje

RUI MINDERICO

Quase um ano depois do ataque, vai começar a fase de instrução do processo que poderá levar a julgamento mais de 40 arguidos.

Esta segunda-feira são interrogados quatro dos 44 arguidos do processo. O processo do ataque em Alcochete foi declarado de especial complexidade.

Apesar de pertencer à comarca do Barreiro, por questões logísticas vai decorrer no Campus da Justiça em Lisboa.

A instrução, fase facultativa em que o juiz de instrução criminal Carlos Delca vai decidir se o processo segue e em que moldes para julgamento, foi requerida por mais de uma dezena de arguidos, entre os quais o ex-presidente do Sporting Bruno de Carvalho e o antigo oficial de ligação aos adeptos do clube Bruno Jacinto. Esta fase, é a última etapa para evitar que o caso vá a julgamento.

Para esta segunda-feira, estão marcados os interrogatórios de quatro arguidos, Hugo Ribeiro (10:00), Celso Cordeiro (11:00), Sérgio Santos (14:00) e Elton Camará (15:00) e mais uma testemunha.

Bruno de Carvalho interrogado terça-feira

O ex-presidente do Sporting, Bruno de Carvalho vai ser ouvido amanhã. É suspeito de ser o autor moral de 97 crimes classificados como terrorismo e que são puníveis com pena de prisão entre dois a 10 anos.

Pedro Nunes

O ataque à Academia

O ataque à Academia do Sporting, em Alcochete, ocorreu a 15 de maio de 2018. Poucos minutos após as 17h00 um grupo de adeptos de cara tapada invadiu a academia do Sporting em Alcochete. O grupo dirigiu-se aos balneários e agrediu jogadores e equipa técnica. A GNR foi chamada ao local e deteve mais de 20 adeptos. Mais tarde soube-se que tinham todos ligações à claque sportinguista, Juve Leo. Os jogadores apresentaram queixa e saíram já de madrugada do posto do Montijo.

37 arguidos em prisão preventiva

Os primeiros 23 detidos pela invasão à academia e consequentes agressões a técnicos, futebolistas e outros elementos da equipa 'leonina', ocorrida em 15 de maio do ano passado, ficaram todos sujeitos à medida de coação de prisão preventiva em 21 de maio.

Em 15 de novembro do ano passado, exatamente seis meses após o ataque à academia, a procuradora Cândida Vilar (que será a procuradora do Ministério Público (MP) na fase de instrução), deduziu acusação contra 44 arguidos, incluindo Bruno de Carvalho e 'Mustafá', líder da claque Juventude Leonina.

Dos 44 arguidos do processo, 37 mantêm-se sujeitos à medida de coação mais gravosa: a prisão preventiva.

Seis arguidos estão em liberdade, incluindo Bruno de Carvalho e o líder da claque 'Juve Leo', que estão ambos obrigados a apresentações diárias às autoridades.

O arguido Celso Cordeiro vai passar, entretanto, de prisão preventiva para prisão domiciliária com pulseira eletrónica.

O antigo oficial de ligação aos adeptos do clube Bruno Jacinto está entre os arguidos presos preventivamente, sendo acusado da autoria moral do ataque, tal como Bruno de Carvalho e 'Mustafá'.

Crimes em causa

Aos arguidos que participaram diretamente no ataque, o MP imputa-lhes a coautoria de crimes de terrorismo, 40 crimes de ameaça agravada, 38 crimes de sequestro, dois crimes de dano com violência, um crime de detenção de arma proibida agravado e um de introdução em lugar vedado ao público.

Bruno de Carvalho, 'Mustafá' e Bruno Jacinto estão acusados, como autores morais, de 40 crimes de ameaça agravada, 19 de ofensa à integridade física qualificada, 38 de sequestro, um de detenção de arma proibida e crimes que são classificados como terrorismo, não quantificados.

O líder da claque Juventude Leonina está também acusado de um crime de tráfico de droga.

Com Lusa