Desporto

Detido Michel Platini, antigo presidente da UEFA

GEORGI LICOVSKI/ EPA

Platini está a ser investigado em França por suspeitas de corrupção relacionadas com a atribuição do Mundial de 2022 ao Qatar.

Michel Platini foi hoje detido por suspeita de corrupção. O antigo presidente da UEFA está a ser investigado em França no âmbito da atribuição do Mundial de 2022 ao Qatar. Platini foi interrogado pelas autoridades francesas, confirmou fonte judicial à agência Reuters.

A detenção do antigo futebolista foi avançada em primeira mão pelo site Mediapart e pelo site do jornal francês Le Monde.

Sophie Dion, ex-conselheira do antigo Presidente francês, Nicolas Sarkozy, também foi colocada sob custódia no âmbito da mesma investigação "por alegados atos de corrupção e suborno".

Em causa estão crimes de corrupção, associação criminosa e tráfico de influências.


A investigação centra-se numa reunião, realizada a 23 de novembro de 2010, entre o então Presidente francês Nicolas Sarkozy e o príncipe herdeiro do Qatar e atual emir, Tamim bin Hamada al-Thani, na qual também participou Platini, à data presidente da UEFA e vice-presidente da FIFA.


O encontro contou ainda com a presença de Claude Guéant, chefe de gabinete de Sarkozy, que também é suspeito e já foi ouvido, sem ter sido detido, e Sophie Dion, conselheira do então presidente francês, que, de acordo com o jornal Le Monde, também foi detida.


A polémica escolha do Qatar, que abalou a estrutura diretiva da FIFA, foi anunciada em 2 de dezembro de 2010, derrotando as candidaturas dos Estados Unidos, Coreia do Sul, Japão e Austrália.


Em outubro de 2015, Joseph Blatter, que tinha sido obrigado a demitir-se da presidência da FIFA meses antes, tornou público um alegado "acordo de cavalheiros", que previa a atribuição da organização do Mundial de 2018 à Rússia - que se verificou -, e do de 2022 aos Estados Unidos, que acabou por não acontecer.


Segundo o suíço, o plano fracassou devido "à interferência governamental de Sarkozy", que refutou as acusações.

Platini diz-se vítima de conspiração na FIFA

No final do ano passado, Platini apresentou uma queixa contra desconhecidos, na expectativa de conseguir provar que houve uma conspiração na FIFA para o banir do futebol.

"Apresentámos uma queixa por denúncia caluniosa e conspiração", disse o advogado do antigo futebolista internacional francês, acrescentando: "esta queixa poderá determinar que houve uma ação concertada com o objetivo de criminalizar indevidamente Platini".

Platini foi suspenso de funções em maio de 2016, na sequência do escândalo do pagamento de 1,8 milhões de euros em 2011, por suposto trabalho de consultadoria, sem um contrato escrito, pedido por Joseph Blatter, à data presidente da FIFA.

O ex-futebolista internacional francês, de 63 anos, assumiu a presidência da UEFA em 2007 e demitiu-se em maio de 2016, depois de o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) ter decidido o seu afastamento por quatro anos de todas as atividades ligadas ao futebol.