Desporto

Seleção brasileira declara-se "contra a organização da Copa América"

A Copa América está marcada para começar no Brasil no domingo.

Seleção brasileira declara-se "contra a organização da Copa América"
Ricardo Moraes

A seleção de futebol do Brasil declarou-se "contra a organização da Copa América" num manifesto conjunto partilhado nas redes sociais por vários jogadores, incluindo o capitão e maior estrela brasileira, Neymar.

A Copa América está marcada para começar no Brasil no domingo.

"Somos contra a organização da Copa América, mas nunca diremos não à Seleção Brasileira", lê-se no comunicado, endereçado "aos mais de 200 milhões de torcedores" brasileiros.

"Somos um grupo coeso, porém com ideias distintas. Por diversas razões, sejam elas humanitárias ou de cunho profissional, estamos insatisfeitos com a condução da Copa América pela Conmebol, fosse ela sediada tardiamente no Chile ou mesmo no Brasil", explicam os atletas da 'canarinha'. "Todos os factos recentes nos levam a acreditar num processo inadequado", frisaram os jogadores.

Ainda assim, os jogadores lembram que são trabalhadores e profissionais de futebol e que têm "uma missão a cumprir com a histórica camisa verde-amarela pentacampeã do mundo".

"Somos contra a organização da Copa América, mas nunca diremos não à Seleção Brasileira", concluíram.

A próxima edição da Copa América seria organizada de forma conjunta pela Argentina e pela Colômbia, mas os dois países, por diversas razões, desistiram de organizar o torneio, pelo que a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) confiou então a missão ao Brasil, embora seja um dos países mais afetados pela pandemia em todo o mundo.

O risco da realização da Copa América no Brasil

O Governo do Brasil, presidido por Jair Bolsonaro, apoiou essa decisão, que gerou uma onda de críticas de toda a oposição de esquerda e até de direita, e de especialistas em saúde pública que alertam para o risco que representa.

Organizações científicas também alertaram que o Brasil está à beira de uma nova vaga da pandemia de covid-19, quando ainda apresenta elevadas taxas de mortalidade, sendo que nas últimas duas semanas registou uma média de mais de 1.600 óbitos por dia.

Porém, o ministro da Saúde do Brasil, Marcelo Queiroga, afirmou na terça-feira que a celebração da Copa América não acarreta "riscos" para a população, já que os protocolos de saúde que vêm sendo desenvolvidos para o evento "são seguros".

"O risco para a população é o mesmo, com ou sem Copa", porque as 650 pessoas que se estima que integrem as delegações, entre futebolistas, técnicos e pessoal de apoio, "estarão isoladas" nos seus hotéis e só sairão em autocarros "controlados" para treinar e deslocarem-se aos estádios onde serão disputados os jogos, afirmou o governante.

O Brasil ultrapassou a barreira de 17 milhões de casos de covid-19 no país (17.037.129) e aproxima-se de 477 mil vítimas mortais (476.792) desde o início da pandemia.

Desse total, 2.378 vítimas mortais e 52.911 infeções pelo novo coronavírus foram contabilizadas nas últimas 24 horas, segundo o último boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde brasileiro.