Desporto

Mbappé: o presidente de chuteiras  

23.05.2022 14:00

Opinião

PARIS, FRANCE – MAY 21: Kylian Mbappe of PSG during the Ligue 1 Uber Eats match between Paris Saint-Germain (PSG) and FC Metz at Parc des Princes stadium on May 21, 2022 in Paris, France. (Photo by John Berry/Getty Images)

Se Mbappé quiser, ou não se importar, Luís Campos será o novo diretor desportivo. E se Mbappé quiser, ou não se importar, Amorim pode ser o seu treinador adjunto. Uma coisa é afastar Slimani, outra, bem diferente, é pensar, sequer, em trocar argumentos com a “instituição” Mbappé.

Numa altura em que o Paris Saint-Germain começa a movimentar-se para escolher o próximo treinador, fica claro que o dono do balneário não será Zidane, Rúben Amorim (nome avançado nas últimas horas) ou qualquer outro que suceda a Mauricio Pochetinno. Quem entrar para o comando técnico sabe que só irá sobreviver se não afrontar Mbappé. O francês, de apenas 23 anos, passa a ser a figura com mais poder no futebol do clube. Sem paralelo com outro caso da atualidade.

Qualquer jogador que não lhe caia no goto, estará condenado ao banco, bancada ou mercado. O melhor onze é o onze que lhe possa servir ou não causar transtorno. Uma equipa ao seu serviço. Um clube ao seu serviço. Na ótica de Mbappé, a solução é simples: “My way or the highway.” Com o alto patrocínio do estado do Qatar. E já há vítimas do novo DDT de Paris e dos seus conselheiros mais influentes.

Horas depois do anúncio da renovação, o clube anunciou a saída de Leonardo das funções de diretor desportivo para as quais tinha regressado em 2019. Porque Mbappé não morria de amores pelo brasileiro. Porque Mbappé prefere outro perfil. Diz-se que o português Luís Campos (com notável trabalho no Mónaco e no Lille) é o preferido para o cargo. Se Mbappé quiser, ou não se importar, será ele. E se Mbappé quiser, ou não se importar, Amorim pode ser o seu treinador adjunto. Uma coisa é afastar Slimani, outra, bem diferente, é pensar, sequer, em trocar argumentos com a “instituição” Mbappé.

É esta a nova realidade do PSG. Quem manda é o jogador mais bem pago da história do futebol. Como diz Lizarazu, campeão do mundo pela França em 1998, o clã Mbappé, numa forma nunca antes vista, teve capacidade para “pôr de joelhos” o estado do Qatar e o Real Madrid até aceitar continuar em Paris. O jogo duplo resulta numa renovação de três anos para a qual o PSG desembolsa mais de 590M€.

Segundo o The Sun, só o prémio de assinatura ronda os 300M€. Nem Real ou outro clube poderia competir com a violência destes números. E nenhum emblema, além do PSG de Nasser Al-Khelaifi, estaria disposto a dar poderes ilimitados a um jogador.

Tem sido a demasiada autoridade dos craques de Paris, com Neymar à cabeça, a limitar o trabalho dos treinadores e a servir como uma das causas para a constante falha na obsessão de ganhar uma Champions. O PSG resolveu manter a fórmula mudando de Neymar para Mbappé. Sendo o segundo bem mais profissional e exemplar, nos treinos e nos jogos, continua a ter tudo para correr mal.

As capacidades do francês dentro de campo são à prova de bala. Não se lhe conhece, no entanto, o mesmo jeito para treinar ou dirigir. Seja como for, agora é com ele, agora é para ele, agora é tudo dele. Mas, por esta altura, PSG e Mbappé já deveriam saber que uma Champions não se ganha apenas com (muito) dinheiro.

Últimas Notícias