Desporto

Assédio no desporto: presidente do COP diz que "não é a primeira vez"

Assédio no desporto: presidente do COP diz que "não é a primeira vez"

O tema voltou à ordem do dia após várias futebolistas que alinharam no Rio Ave em 2020/21 terem denunciado ações de assédio sexual do técnico do clube, tendo também o diretor desportivo Samuel Costa sido alvo de um processo disciplinar.

O presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP), José Manuel Constantino, disse hoje à Lusa que o assédio sexual no desporto português, "uma chaga" na sociedade, não é um fenómeno novo, faltando "articulação de estratégias de combate".

"Não creio que as evidências que tenham ocorrido no desporto sejam de natureza distinta das que ocorrem noutros contextos sociais", explicou o dirigente, assumindo que "não é a primeira vez" que o assunto surge. E como o desporto não é "um mundo à parte das restantes práticas sociais", o assédio sexual e o abuso são "também uma chaga" neste setor "que precisa de ser denunciada e combatida".

Assim, o presidente do COP apela "que todos os casos conhecidos possam ser objeto de denúncia, para serem avaliados e eventualmente sancionados. Simultaneamente, trabalhar no sentido da educação e formação cívica, de modo a que estas práticas não possam ocorrer no mundo do desporto", declarou.

José Manuel Constantino também alerta para o problema não ser apenas entre homens e mulheres, mas também entre homens e também entre mulheres, neste caso algo "que também existe no desporto mas está completamente camuflado e tem alguma incidência". Referindo que uma das suas preocupações passa pelo abandono de crianças e jovens do desporto, seja por vontade própria ou por decisão dos pais, após o surgimento destes casos, uma "tendência que se verifica em alguns contextos internacionais".

O presidente chama a atenção para a falta de "indicadores seguros quanto aos números" havendo a necessidade da "criação de um conjunto de estratégias" que se articulem e que façam combate "quer ao assédio quer ao abuso, como outro tipo de problemas que ocorriam no seio dos sistemas desportivos, não tivemos grande eco nem retorno do ponto de vista das organizações quer com responsabilidades políticas, quer responsabilidades desportivas", lamentou.

Mas reforça que "é necessário trabalhar este tema, adotar procedimentos preventivos para que incidências desta natureza não ocorram, e quando ocorram encontrar mecanismos de denúncia".

José Manuel Constantino adianta que se sentiu "um pouco sozinho nesta matéria", talvez por procurar "não ir por aquilo que é a agenda mediática, muito pressionante e à procura de respostas prontas sobre matérias que exigem ponderação, estudo e debate", e chamou a atenção "para o risco que havia, no sistema desportivo português, para as questões de abuso e de assédio".

O COP, em abril de 2020, publicou um comunicado que alertava para a prevalência destes fenómenos no universo desportivo, que persistiam "na opacidade", louvando as denúncias feitas por figuras importantes de vários setores, de campeãs olímpicas a atrizes e outras figuras das artes.

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