Desporto

O conto de fadas do Auckland City, a equipa de professores, barbeiros e estudantes que fez história no Mundial

Os jogadores do Auckland City não ganham mais de 80 euros por semana para jogar futebol. No resto do tempo são barbeiros, fisioterapeutas, vendedores, engenheiros e até estudantes. Um professor foi o autor do golo do empate contra o Boca Juniors, no Mundial de Clubes. As goleadas contra Bayern e Benfica não apagam a história. “É um sonho”, admite o treinador da equipa da Nova Zelândia.

Adam Mitchell e Jerson Lagos, jogadores do Auckland City
Adam Mitchell e Jerson Lagos, jogadores do Auckland City
George Walker IV

O que o Auckland City fez nos Estados Unidos, em pleno Mundial de Clubes, é daquelas coisas que provavelmente só são possíveis num desporto tão imprevisível como o futebol. Uma equipa amadora, composta por professores, vendedores, barbeiros, fisioterapeutas e estudantes, empatou com o Boca Juniors, gigante da Argentina.

Um resultado que vale um milhão de dólares, quantia quase simbólica para a maior parte dos emblemas na competição, mas de outra dimensão para este clube da Nova Zelândia, que já tinha angariado 3,58 milhões pela participação no torneio, e para os seus jogadores a part-time, que recebem cerca de 77 euros por semana da federação neozelandesa de futebol.

"Vamos dividir o prémio entre toda a equipa técnica e o plantel. Eu limpo piscinas e banheiras de hidromassagem. Tirei uma licença do trabalho sem vencimento, senão teria que pedir demissão para ir aos Estados Unidos", explica Sebastián Ciganda, guarda-redes suplente do Auckland City.

Christian Gray, o autor do golo contra o Boca Juniors, o único da equipa no Mundial de Clubes, é professor estagiário em duas escolas. Marcou a Marchesín, antigo guardião do FC Porto e internacional argentino. Nas bancadas, cerca de 50 adeptos do Auckland City presenciaram uma improvável história, depois das derrotas nas primeiras jornadas contra Bayern (10-0) e Benfica (6-0).

"É um sonho. Vir de um nível amador para jogar neste ambiente é algo que nos deixa orgulhosos", afirmou o treinador Ivan Vicelich, após o desaire com o Bayern.

Como o Auckland City chegou ao Mundial?

O Auckland City é o único represente da Oceânia no Mundial de Clubes. Apesar de ser uma equipa amadora, trata-se de um gigante no continente, tendo conquistado 13 títulos da Liga dos Campeões da OFC e 12 do campeonato neozelandês.

A falta de concorrência na Oceânia explica-se pela ausência dos clubes australianos, que desde 2005 jogam nas ligas da Confederação Asiática de Futebol, e das únicas duas equipas profissionais da Nova Zelândia, o Auckland FC e o Wellington Phoenix, que também foram à procura de maior competitividade na Ásia.