A pedido da família, o velório de Diogo Jota e do irmão André Silva, realizado na Capela da Ressurreição em Gondomar, vai terminar mais cedo para o público em geral. Em vez de fechar às 22h00, como inicialmente previsto, a capela fechará portas por volta das 19h30.
Segundo o psiquiatra Gustavo Jesus, o pedido da família para encurtar o horário do velório "é completamente natural".
Em entrevista à SIC Notícias, o especialista explicou que, após uma perda significativa, o processo de luto passa por várias fases e cada pessoa o vive de forma única, com necessidades distintas, como mais ou menos comunicação e validação.
"Quando isto acontece de forma tão pública e mediática, mesmo que as pessoas que comparecem à cerimónia o façam com as melhores intenções, podem ser disruptivas para as dinâmicas familiares que fazem parte do processo de luto", afirmou Gustavo Jesus.
Segundo o psiquiatra não cabe a ninguém julgar as decisões da família. Para Gustavo Jesus, uma vez que cada pessoa vive o luto de forma única e tem necessidades diferentes, é natural que, neste momento difícil, tome decisões que façam sentido apenas para elas.
Além disso, o especialista explicou que alongar as cerimónias fúnebres faz com que o luto da família "seja adiado".
"Quanto mais ocupado for este período, mais difícil será iniciar o processo de luto de forma eficaz, no sentido de tomar consciência da perda e começar a gerir as emoções associadas", acrescentou.
É importante para a família saber o que aconteceu?
Em relação à importância da família saber o que aconteceu no acidente que vitimou Diogo Jota e o irmão, o especialista afirma que é fundamental para o processo de luto.
"É importante, em qualquer processo de luto, ter alguma clareza sobre os acontecimentos que levaram à perda, pois isso ajuda a construir uma narrativa interna que dá algum significado à história", explicou Gustavo Jesus.
De acordo com o psiquiatra, o impacto da ausência de informação pode criar um vazio emocional.
"Quando não sabemos o que aconteceu, geram-se emoções como raiva, ansiedade e culpa", o que segundo o psiquiatra torna ainda mais difícil lidar com a perda.