João Rosado

Comentador SIC Notícias

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Opinião

A tempestade perfeita para Rui Costa

Opinião de João Rosado. Na Assembleia Geral de sábado, Luís Filipe Vieira deu outro rumo à corrida eleitoral do Benfica.

A tempestade perfeita para Rui Costa
RICARDO CASTELO

É ouro sobre azul, aconteça logo o que acontecer em Stamford Bridge e no próximo domingo, no Dragão.

Os regressos de José Mourinho a Londres e ao Porto consumar-se-ão na hora certa para Rui Costa, que bem pode embalar para uma reta final de campanha ao som dos “Blues”.

E muito graças a Luís Filipe Vieira (LFV), o ex-presidente que continua a esforçar-se para oferecer de bandeja a reeleição ao seu outrora diretor-geral.

Ao apresentar-se no último sábado na Luz perante uma plateia cujo grau de hostilidade correspondeu às previsões, Vieira provocou o curto-circuito que desejava e acima de tudo conseguiu enrolar os restantes candidatos numa tempestade perfeita que favorece sobremaneira quem está no poder.

Conforme a generalidade dos benfiquistas apontou, a tumultuosa Assembleia Geral (AG) que se realizou poucas horas depois do triunfo sobre o Gil Vicente acabou por reavivar memórias proibidas e fez esquecer o “milagre” que tinha acontecido na véspera, dando créditos a um presidente que sacode responsabilidades nos dois tabuleiros.

A denunciar uma postura claramente diferente desde que assumiu o propósito de voltar às urnas, Rui Costa só precisou de recuperar a pose institucional e de lamentar com a formalidade exigida os acontecimentos que marcaram a manhã do dia que estava também consagrado à votação do Relatório e Contas 2024/25.

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Do alto da tribuna, assistiu ao violento jogo de acusações entre Luís Filipe Vieira e João Diogo Manteigas e viu Noronha Lopes multiplicar-se em esforços para desmentir uma aliança estratégica com Manteigas enquanto criticava LFV por entrar na AG “rodeado de capangas.” Ao contrário do que foi dito várias vezes por parte dos que tencionavam esgrimir ideias e projetos, recusando a lavagem de roupa suja, a corrida eleitoral do Benfica está neste momento resumida a uma guerra de comunicados e a uma troca de insultos que chega ao ponto de recuperar figuras excomungadas do outro lado da Segunda Circular.

Quando alguém que esteve mais de duas décadas na liderança dos encarnados consegue trazer para a discussão mediática um nome como Bruno Carvalho, é fácil entender o nível a que se situa a oposição, para sossego dos eleitores que reforçam a convicção que para pior já basta assim.

RÍOS E RIOS DE DINHEIRO

Nem sequer o cenário de risco que as águias experimentam no que diz respeito ao calendário desportivo, por imposição de quatro compromissos fora de portas (hoje defrontam o Chelsea, a seguir visitam o FC Porto e depois atuam em Chaves e Newcastle, partidas a contar para a Taça de Portugal e Champions), tira o sono aos que mandam.

Alex Broadway

Até Bruno Lage, na entrevista que concedeu a “A Bola”, admitiu que a escolha do sucessor recaiu no “melhor treinador de sempre”, um José Mourinho que serve de guarda-chuva para qualquer eventualidade, sejam ou não os resultados condizentes com o sonho de recuperar o título nacional e chegar longe nas provas europeias.

O próprio Rui Costa, em declarações ao “Record”, começou a deixar escapar a vontade e a necessidade de voltar ao mercado em janeiro, como se não tivesse gasto no verão mais de 100 milhões em transferências e fingindo-se esquecido dos elogios que “Mou” traçou ao plantel quando era estratega do Fenerbahçe.

Confortada pelo carisma e experiência comunicacional do Special One, a atual Administração vai semeando justificações oficiais para as cinzentas exibições da equipa, socorrendo-se da velha estória do cansaço e do jovem defeito da falta de qualidade, algo que começou a nascer depois de rebentarem as suspeitas sobre o real valor de Richard Ríos, a tal megacontratação que chegou, Lage dixit, por méritos exclusivos do homem que lhe abriu a porta de saída.

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A verdade é que este género de desculpas, quando se tem um treinador como Mourinho, colhe frutos junto dos adeptos, a maioria deles pouco sensível a derrapagens no orçamento. O antigo “Maestro” tem essa receita na ponta da língua e para cúmulo, nas últimas horas, caiu-lhe nos braços um reforço vindo do sítio menos suspeito e ainda por cima a preço zero.

Nos muros de Arouca, a principal claque do FC Porto escreveu frases que pintaram Rui Costa como “patrão” de Reinaldo Teixeira, o presidente da Liga, dando a entender que afinal o senhor da Luz é capaz de exercer com astúcia o magistério de influência nas altas esferas.

Nem Luís Filipe Vieira, quando negociava com Pinto da Costa nomes para a Liga e para a Federação, seria capaz de tanto ouro sobre o azul.