No dia em que se assinalaram as bodas de prata da histórica nomeação de Manuel Vilarinho como 32.º presidente do Benfica, João Diogo Manteigas (JDM) confirmou-se como um dos grandes vencedores das eleições que espantaram o Mundo mesmo sem terem causado a mínima surpresa nos resultados finais.
O sufrágio mais concorrido de sempre num clube desportivo ofereceu números estonteantes no que diz respeito à mobilização (mais de 85 mil marcaram presença nas urnas) e um desfecho cosido à medida dos prognósticos que qualquer amador seria capaz de fazer antes de começar o jogo dos votos.
Rui Costa (42,13%) e Noronha Lopes (30,6%) destacaram-se da concorrência e, tal como se previa, vão disputar uma segunda volta no próximo dia 8, precisando ambos de convencer os benfiquistas que mostraram simpatia por outras figuras ou que não quiseram participar na romaria encarnada.
A quarta candidatura mais votada (11,48%) é que fez jus ao facto de ter sido a primeira a apresentar-se (logo em setembro do ano passado) e 24 horas depois de terem sido divulgados os dados oficiais voltou a antecipar-se, assumindo que o apoio será canalizado para o outro João, Noronha Lopes.
Nesta segunda-feira em que Vilarinho teve motivos para abrir mais uma garrafa para brindar aos 25 anos da derrota de… outro João (um tal Vale e Azevedo), percebeu-se que o único adversário que resta ao presidente em exercício pode fazer contas com os 12.259 sócios que queriam ter a lista C na Direção.
É verdade que Manteigas fez questão de salientar que é uma atitude individual, sublinhou que não se revê “nos projetos dos outros candidatos” e que “não há nenhuma indicação de voto”, chegando ao ponto de avisar que não confia “a cem por cento no modelo de gestão” de Noronha Lopes.
Mas é tanto verdade tudo isto como o contrário de tudo isto, ou seja, o jovem e astuto advogado reconhecerá melhor do que ninguém que as palavras ontem proferidas vão obviamente condicionar os seus simpatizantes e influenciar as escolhas nos boletins. Se isto não correspondesse ao outro lado da moeda que lançou para o ar sem esperar por ninguém, nem sequer valia a pena considerá-lo como líder de um grupo de excursionistas quanto mais como líder de um projeto que visa uma presidência que está com inteira legitimidade nos horizontes.
MAIS É MENOS
Refugiado no carácter pessoal da decisão, João Diogo Manteigas podia ficar calado, manter-se neutral e comportar-se de forma “anónima” a 8 de novembro. Ao dirigir-se à massa de eleitores nos termos que utilizou, pensa à frente, posiciona-se na “pole position” para o futuro e joga também com a maturidade crescente dos que agora o seguem sem terem ainda direito a múltiplos votos.
Convém recordar que a lista C, no que diz respeito à corrida para a Direção (o único órgão para o qual concorreu além do Conselho Fiscal), acabou por ter mais votantes (os tais 12.259) do que Luís Filipe Vieira (11.816) embora menos votos (202.989 contra 244.997).
O homem que esteve no poder entre 2003 e 2021 ficou em terceiro lugar e seria espantoso que os 13,86% da lista E não revertessem agora para o delfim de uma década. Até com isso, de maneira muito inteligente, Manteigas barra o plano 2029 ou… 2027.
Confirmando-se a natural imposição do que resta do Vieirismo na segunda volta, Rui Costa será reeleito e ninguém poderá apontar o dedo a JDM, responsabilizando-o pela segunda oportunidade dada ao Maestro dos relvados.
Noronha Lopes, entretanto, arrisca-se, de forma muito séria, a cair em definitivo e deixará o caminho livre para o mais novo dos candidatos, que só precisou de dar um empurrãozinho ao gestor que publicou uma fortuna de 23 milhões. É um plano que faz lembrar aquilo que se começou a desenhar em 2000, quando Vieira soube esperar pelos tropeções de Manuel Vilarinho para passar de presidente da SAD a presidente do clube.
Vantagens de quem hoje como há 25 anos sabe utilizar as balas de prata.

