Economia

Fundo de 400 milhões de euros do BPP só será destinado ao Estado se os tribunais decidirem

Os 400 milhões de euros atualmente detidos  pelo fundo de liquidação do BPP só poderão ser destinados ao Estado se os tribunais assim decidirem no final das centenas de ações que atualmente  decorrem na justiça, disse à Lusa o representante dos clientes. 

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O jornal Público notícia hoje que "no pressuposto de que a penhora prioritária  a favor do Tesouro não será declarada inválida em tribunal, a Comissão Liquidatária  do BPP terá condições para devolver ao Estado o crédito de 450 milhões de  euros". Isto porque atualmente o fundo já dispõe de cerca de 400 milhões  de euros aplicados em diversos ativos.  

Em declarações à Lusa, o presidente da Privado Clientes, associação  de clientes do Banco Privado Português (BPP), Jaime Antunes, confirmou que  o fundo já terá cerca de 400 milhões de euros, mas afirmou que ainda é incerto  que seja o Estado a ficar com esse montante.  

"Os 400 milhões de euros não são do Estado, pertencem aos credores da  massa insolvente, entre os quais o Estado. Só depois de os processos em  tribunal estarem concluídos, é que é feita uma lista final e definitiva  dos credores e dos direitos que cada um tem", disse Jaime Antunes, acrescentando  que só então será decidido do "privilégio" ou não do Estado. 

O representante dos clientes refere ainda que é "otimista" considerar  que o processo de liquidação esteja concluído até 2016, já que ainda existem  centenas de processos em tribunal no âmbito deste caso. Além disso, afirmou,  mesmo depois de ser tomada uma decisão em primeira instância pode haver  recursos. 

O BPP foi intervencionado pelo Estado em 2008 depois de o seu fundador  e presidente, João Rendeiro, ter alegado rutura de tesouraria. O Estado  negociou então com um consórcio de bancos (Caixa Geral de Depósitos, BCP,  BES, Santander Totta, BPI e Caixa Central de Crédito Agrícola Mútuo) um  empréstimo de 450 milhões de euros com garantia estatal e negociou uma nova  administração, presidida por Adão da Fonseca, para acompanhar plano de salvamento  da instituição. 

Com a decisão do Governo de extinguir o banco, em 2010, os seis bancos  executam a garantia pública e o Estado considera-se credor preferencial  dos 450 milhões de euros. 

Entre os casos que seguem na justiça, no âmbito do BPP, em fevereiro  deste ano o Ministério Público acusou João Rendeiro e outros dois antigos  administradores do BPP, da prática de um crime de burla qualificada, numa  operação de aumento de capital do BPP, em 2008, realizada no veículo de  investimento "Privado Financeiras". 

Neste processo, estão em causa prejuízos para cerca de uma centena de  queixosos, no valor de quase 41 milhões de euros. 

Em investigação no Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa  encontram-se outros processos relacionados com o BPP. 

Lusa