Economia

BE defende renegociação da dívida e corte no pagamento dos juros do empréstimo da troika

A coordenadora do BE Catarina Martins defendeu  hoje a renegociação dos prazos, juros e montantes da dívida e o corte na  totalidade do pagamento de juros do empréstimo da troika.  

Coordenadora nacional do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, na feira de Santa Maria da Feira (Lusa)
JOSE COELHO

"O BE propõe uma renegociação da dívida nos seus prazos, nos seus juros  e nos seus montantes que possam ajudar Portugal a sair da crise. Não é uma  resposta fácil, não é um caminho isento de responsabilidades, mas é o único  caminho para a defesa de que é essencial, para a defesa do país, do Estado  Social, da democracia", afirmou Catarina Martins, numa intervenção no encerramento  da conferência internacional "Uma Saída para a Crise", promovida pelo BE  numa escola em Almada. 

Essa renegociação, continuou, deverá passar pela negociação com "os  credores oficiais e com os credores privados" para reduzir a dívida "a um  montante sustentável", "emitindo obrigações de Tesouro de médio e longo  prazo com prazos a 30 anos, com períodos de carência de juros até 2020".

A coordenadora do BE defendeu igualmente o corte na totalidade do pagamento  de juros do empréstimo da 'troika', lembrando que a generalidade das instituições  internacionais financiam-se "a zero por cento de juros". 

Catarina Martins apontou ainda dois fatores essenciais para a renegociação,  propondo "a indexação do pagamento de juros da dívida dos bilhetes e das  obrigações do Tesouro à evolução das exportações para que seja sustentável"  e a criação de mecanismos para "proteção dos pequenos aforradores, que não  representam muito mais do que cinco por cento da dívida pública. 

Na sua intervenção, a coordenadora do BE reiterou ainda "a recusa da  austeridade", insistindo que "a austeridade não pode ser o caminho para  nada". 

Lusa