Economia

Wolfgang Schauble defende que atenuar austeridade não geraria crescimento na Europa

O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schauble, considerou hoje um "erro" pensar que atenuar a disciplina orçamental gerará crescimento na Europa.

© Philippe Wojazer / Reuters

Violar as regras orçamentais com a expetativa de estimular o crescimento  económico "é um erro, não encontraremos o caminho", insistiu Schauble, ministro  das Finanças da chanceler Angela Merkel, durante um discurso aos deputados  no Bundestag, camara baixa do Parlamento alemão que hoje começou a debater  o projeto de Orçamento de Estado para 2015.  

"Não podemos comprar empregos e crescimento com dinheiro público",  adiantou o ministro, "e isso também não ajuda o Banco Central Europeu porque  este faz o que pode, mas não pode impor o crescimento, como se vê atualmente".

Na quinta-feira, o Banco Central Europeu (BCE) reduziu a taxa de juro  diretora para 0,05%, um novo mínimo histórico, e anunciou que vai lançar  um programa de compra de dívida privada para apoiar o mercado de crédito  e dinamizar a economia da zona euro, anunciou o presidente da instituição,  Mario Draghi.  

Draghi referiu que o pacote de compra de ativos do BCE inclui também  créditos hipotecários em euros emitidos por instituições financeiras da  zona euro, mas não precisou o montante deste programa de compra de ativos,  que deverá ser lançado a partir de outubro. 

"Queremos garantir que estes títulos ABS (asset-backed securities) vão  servir para que o crédito chegue à economia real", afirmou Draghi. 

Draghi disse também que será difícil chegar a uma inflação próxima dos  objetivos do BCE só com base na política monetária. "É preciso crescimento",  considerou. "São precisas medidas orçamentais e sobretudo reformas estruturais",  apontou.  

A abundância de liquidez só se traduzirá em investimento e crescimento  se os Europeus inovarem e adotarem as reformas estruturais muito defendidas  pela Alemanha, mas respeitando os princípios orçamentais, defendeu Schauble.

"Nós provámos que uma política orçamental sólida era a melhor política  para o crescimento e o emprego", declarou o ministro conservador, que apresenta  um orçamento federal para 2015 com défice zero, pela primeira vez desde  1969.  

O equilíbrio orçamental "não é um fim em si mesmo, mas sim o sinal de  que podemos contar com nós próprios, é a única maneira de manter a confiança",  defendeu, adiantando que a "a confiança é primordial para investidores e  consumidores".  

"Cumprir as promessas implica também respeitar as regras europeias,  toda a gente deveria respeitar as regras europeias, porque decidimos em  conjunto", precisou o ministro, criticando implicitamente os apelos na Europa  para uma maior indulgência em relação aos que não cumprem as regras orçamentais.

Entretanto, Schauble está a refletir, em concertação com o homólogo  francês, Michel Sapin, sobre "propostas comuns para criar melhores condições  de investimento (privado), a nível nacional e na Europa.  

Os dois ministros querem apresentar as propostas numa reunião de grandes  empresários europeus em Milão no sábado.  

Segundo o jornal alemão Sddeutsche Zeitung, a pedra angular do plano  dos dois ministros seria uma redinamização do mercado de ABS (asset-backed  securities).   

Os títulos ABS permitem a um banco transacionar os créditos que concedeu  através de uma revenda. Esta prática, acusada de ser em parte responsável  pela crise norte-americana do 'subprime' de 2008, foi largamente abandonada  na Europa.  

Lusa