O secretário-geral do PCP defendeu hoje, explicitamente, a nacionalização do Novo Banco no debate parlamentar quinzenal com o primeiro-ministro, António Costa, o qual disse conservar uma "atitude aberta" para a "solução que melhore protege os contribuintes".
"Quantos mais milhares de milhões de euros é preciso o Estado injetar nesses bancos?", questionou o líder comunista, garantindo que "não haverá banca nacional se não for pública" e que "ainda há tempo e solução": através da "concretização da nacionalização, em definitivo, do Novo Banco".
O chefe do Governo socialista, sublinhando que "a preocupação sobre a estabilidade do sistema financeiro é algo que preocupa a todos", recusou, como outros executivos anteriores, "deixar andar e esperar que os problemas se resolvam por si", pois "é necessário agir", tendo em conta a conjuntura.
"Devemos manter uma atitude aberta perante as soluções que existem para tomar uma decisão com um critério fundamental - a que melhor protege os contribuintes e a estabilidade do sistema financeiro e o financiamento da nossa economia", disse, além de voltar a concordar com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, sobre a necessidade de "evitar que possa haver domínio exclusivo de uma nacionalidade [espanhola] no sistema bancário".
O primeiro-ministro prometeu ainda lutar "a todo o custo" pelo "pilar necessário" em que consiste a Caixa Geral de Depósitos, "100% pública e fortemente capitalizada para ter condições de agir" e garantir a estabilidade do sistema.
Antes, Jerónimo de Sousa criticara o relatório da Comissão Europeia, considerando-o um "instrumento de aberta interferência e ingerência nas matérias macroeconómicas dos estados", do qual "o anterior Governo PSD/CDS foi um entusiasta executor", lamentando que "o rumo" que Bruxelas quer continuar a impor seja "o mesmo que trouxe problemas" atuais a Portugal, "particularmente no plano económico e social".
"A natureza e objetivos [do Plano Nacional de Reformas e do Programa de Estabilidade] devem ser garantir o desenvolvimento soberano, uma política liberta de fatores externos e capaz de pôr Portugal a produzir a ritmos que não podem ser os da última década e meia", desejou o líder do PCP.
António Costa contrapôs que aquilo que há a fazer é "olhar para o relatório, na sua diversidade, e construir a estratégia que se ajusta", designadamente quanto ao aumento das qualificações, no combate à emigração e ao desemprego de longa duração, o fomento da inovação empresarial e diminuição do sobre-endividamento das empresas.
"Não pode ser uma fatalidade e a única hipótese de diálogo com a Comissão Europeia passar por seguir a política que a direita prosseguiu e que o povo português rejeitou", disse.
Jerónimo de Sousa confessou que "conforta" ouvir um primeiro-ministro a "dizer isso", mas aquilo que não faz descansar o PCP "é a Comissão Europeia que, fazendo o diagnóstico, diga que a receita é a mesma".
Com Lusa
