Economia

Costa afirma que Estado tem de dar primeiro exemplo no combate ao trabalho precário

O primeiro-ministro afirmou hoje que o Estado tem de dar o primeiro exemplo contra a precariedade, adiantando estar aberto um processo para regularizações laborais no setor público, e que haverá mais inspetores para o setor privado.

Costa afirma que Estado tem de dar primeiro exemplo no combate ao trabalho precário
ANT\303\223NIO COTRIM

Palavras proferidas por António Costa na abertura do debate quinzenal, na Assembleia da República, num discurso subordinado ao tema do emprego.

"Já a partir de amanhã [quinta-feira] e até 30 de junho os trabalhadores do setor público que desempenhem funções permanentes e que não tenham o vínculo adequado podem apresentar os seus requerimentos para verem as suas situações laborais analisadas e corrigidas.

"O Estado tem de ser o primeiro a dar o exemplo, mas o combate à precariedade deve envolver toda a sociedade", advertiu o líder do executivo.

Além do setor público, o primeiro-ministro advogou que há já também medidas para combater a precariedade no setor privado, dando como exemplo "o reforço do número de inspetores da Autoridade para as Condições do Trabalho", bem como "a melhoria dos instrumentos para o reconhecimento da efetiva relação laboral e a proteção dos trabalhadores durante o processo de reconhecimento".

Na sua intervenção, o primeiro-ministro começou por se referir aos indicadores económicos, apontando que "em fevereiro, pela primeira vez desde 2009", a taxa de desemprego "ficou abaixo dos 10%", ao mesmo tempo que se registou "a criação num ano de mais de 150 mil postos de trabalho".

"Ao mesmo tempo que registamos a maior criação de emprego desde 1998, conseguimos uma redução do desemprego particularmente expressiva em dois segmentos críticos da população: Os jovens, onde o aumento do emprego atingiu os 8,5%; e os desempregados de longa duração, cuja taxa de desemprego recuou 18,6%", sustentou.

No entanto, logo a seguir, o primeiro-ministro advertiu que o país ainda tem "um longo caminho a percorrer para que a nenhum português seja negada a possibilidade de ter um emprego digno, um salário justo e uma oportunidade de se realizar plenamente enquanto profissional e cidadão".

Neste contexto, António Costa salientou que as prioridades do Governo são a valorização do salário mínimo, a dignificação do trabalho e das relações laborais e o combate à precariedade.

Ainda no domínio do combate ao desemprego, o primeiro-ministro defendeu que o seu Governo está a antecipar os impactos no mundo laboral resultantes da revolução tecnológica e digital.

"Demos uma nova oportunidade à educação ao longo da vida, com o lançamento do Programa Qualifica, que vai abranger 600 mil pessoas até 2020. Por outro lado, é necessário reforçar as competências digitais, com um programa que até 2020 pretende assegurar a literacia digital a 50 mil cidadãos em idade ativa e reconverter 18 mil quadros com licenciaturas de baixa empregabilidade nas novas oportunidades de emprego digital", acrescentou o primeiro-ministro.

Lusa