Economia

Facilidades no crédito à habitação preocupam Banco de Portugal

O Banco de Portugal pondera limitar o crédito à habitação. O objetivo é atenuar o risco do endividamento. O regulador da banca entende que as instituições financeiras estão a facilitar na concessão de crédito para compra de casa.

O spread está a baixar, como resultado da concorrência. Um alívio da economia incentiva ao crédito e os bancos voltam a conceder empréstimos à habitação em condições mais atrativas, como o alargamento de prazos para disfarçar a taxa de esforço, que tem em conta o rendimento disponível para pagar o empréstimo.

O Banco de Portugal (BdP) está preocupado e admite tomar medidas para travar esta tendência.

No relatório anual de estabilidade financeira, o BdP regista em 2017 fluxos acumulados de novo crédito à habitação, com um aumento no valor de transações de alojamentos familiares, um sinal de alarme.

As taxas de esforço podem ser incomportáveis em caso de desemprego ou quando os juros subirem - e vão subir, mais tarde ou mais cedo.

Diante destes riscos, o regulador diz que é importante assegurar, por um lado, que o crédito à habitação não comprometa a redução do ainda elevado nível de endividamento dos portugueses e, por outro, que não se promova uma exagerada afetação de recursos financeiros ao mercado imobiliário.

Na calha pode estar a imposição de critérios mais apertados para a concessão de crédito à habitação, através, nomeadamente, da taxa de esforço.

O período entre 2012 e 2015 foi o em que os bancos receberam mais imóveis executados por incumprimento nos empréstimos. No final do ano passado, tinham quase 7,5 mil milhões de euros em dações, sobretudo dos centros urbanos. Encaixaram entretanto 2,1 mil milhões nas revendas.

Mais de 35% dos imóveis foram vendidos abaixo do valor inicial, ou seja, com um prejuízo assumido pelos bancos.