Economia

Jerónimo de Sousa insiste nos 600 euros de salário mínimo

ANT\303\223NIO COTRIM

O secretário-geral do PCP insistiu esta quarta-feira nos 600 euros de salário mínimo nacional (SMN) e redução do preço do gás de botija, exigindo ainda ao Governo ação concreta na Saúde, nos CTT e o "caso Raríssimas".

No último debate parlamentar quinzenal do ano com o primeiro-ministro, Jerónimo de Sousa antecipou que "terá de continuar a luta pelo aumento do SMN, que tenha maior correspondência com as necessidades e expectativas dos trabalhadores", lamentando que o Governo tenha feito "outra opção, escudando-se no acordo com o BE para limitar esse aumento".

"O PCP propôs 600 euros para janeiro de 2018, o PS recusou e o Governo veio ontem confirmar a opção pelo aumento para 580 euros, limitado e claramente insuficiente face às necessidades, aquém do necessário para responder às injustiças na distribuição da riqueza e garantir maior desenvolvimento, criação de emprego e receitas para a Segurança Social", disse.

O líder comunista focou a recente polémica da possível gestão danosa por parte da direção da associação de apoio a doenças raras, que provocou inclusivamente a demissão do secretário de Estado da Saúde, para pedir a António Costa "o cabal esclarecimento e apuramento de responsabilidades doa a quem doer", a confirmarem-se as denúncias.

Utilizando o mesmo argumento de o Estado não dever "transferir para terceiros responsabilidades suas", Jerónimo de Sousa referiu-se à iniciativa de há um ano sobre as preocupações com a situação dos CTT e "prejuízos para trabalhadores e populações", enquanto os "novos donos privados amassam lucros à custa do povo e do país".

Na terça-feira os CTT, que empregam 6.700 pessoas, divulgaram um plano de reestruturação que prevê reduzir 800 postos de trabalho em três anos.

Os trabalhadores convocaram uma greve para quinta e sexta-feira pelos seus direitos.

"O Serviço Nacional de Saúde (SNS) está a ser alvo de um processo de esvaziamento e transferência sistemática de prestação de cuidados para o setor privado", apontou ainda o secretário-geral comunista, referindo-se a um recente protocolo entre a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo e quatro misericórdias de Setúbal para consultas de medicina geral e familiar a utentes sem médico de família atribuído.

O primeiro-ministro, depois de assegurar que ainda há "mais estrada para continuar a andar" em conjunto com os partidos da esquerda parlamentar em termos de medidas para melhorar a vida dos cidadãos, admitiu "falhas" no SNS, mas lembrou a atual "maior taxa de cobertura de médicos de família" de sempre (94%) e disse que o referido protocolo "tem natureza suplementar para responder a necessidades acrescidas no Inverno", enquanto não se garante essa cobertura.

Finalmente, Jerónimo de Sousa confrontou o líder do executivo socialista com o facto de as botijas de gás serem 10 a 12 euros mais baratas, "aqui ao lado, em Espanha", condenando "os lucros inaceitáveis das multinacionais energéticas.

"Nestes frios de dezembro, não serão poucas as famílias que farão contas à vida antes de ligar o aquecimento. Tenha em conta esta necessidade, sr. primeiro-ministro", apelou.

António Costa recordou que o Governo já adotou "um conjunto de políticas que se tem traduzido num menor custo geral da energia para os consumidores": "o gás natural, em dois anos, baixou 20%, a eletricidade, este ano, terá uma descida nominal correspondente a uma descida real, as tarifas de acesso, importantes para a indústria, vão baixar 4,4%, a dívida tarifária de mais de cinco mil milhões de euros é reduzida para 3,6 mil milhões e, sobretudo, a tarifa social aumentou a cobertura de 80 mil para 800 mil famílias".

O primeiro-ministro destacou ainda duas novas medidas relativas ao gás de botija: "obrigar todos os distribuidores, operadores e retalhistas a realizar a receção e troca independentemente da marca" e "deduzir no preço o gás que fica no fundo da botija, através da média".

Lusa