Economia

Já há falta de gasóleo na fronteira entre Algarve e Espanha

RUI MINDERICO

Há postos que só já têm reservas para serviços mínimos.

A falta de combustíveis já afeta hoje Vila Real de Santo António, junto à fronteira com Espanha, e a pior situação acontece com o gasóleo, com postos já esgotados, que só conservam reservas para serviços mínimos.

A Lusa percorreu hoje de manhã vários postos de abastecimento de combustíveis junto à fronteira entre o Algarve e a região espanhola da Andaluzia para perceber os efeitos da greve dos motoristas de transporte de matérias perigosas na zona e constatou que há postos com algum gasóleo, mas as reservas já estão a acabar, e nos poucos onde ainda há esse combustível já há filas de automobilistas à espera para abastecer.

Rolando Mateus é gerente de um posto de combustível na avenida marginal de Vila Real de Santo António, a localidade mais próxima da fronteira, e disse à agência Lusa que "o gasóleo já esgotou" e "só há gasolina" nos tanques.

"Mas não acredito que a gasolina vá esgotar. Habitualmente a gasolina já pouco se vende, porque as pessoas costumam abastecer em Espanha, onde é mais barato, e até nem acredito que a gasolina vá esgotar aqui, porque as pessoas habitualmente já se deslocam ao outro lado da fronteira e praticamente já pouco a vendemos", afirmou.

Questionado sobre a conservação de reservas para situações previstas nos serviços mínimos, a mesma fonte respondeu que "há ainda algum gasóleo, mas para emergências", como o abastecimento de ambulâncias.

Junto ao posto de combustível de uma superfície comercial, a situação já era mais complicada, com várias pessoas à espera na fila para abastecer e já só havia gasóleo numa das quatro bombas em serviço.

"Ainda há algum na bomba 4, mas não acredito que aguente muito mais tempo, porque estão a vir muitas pessoas para aqui", disse Carlos António, que esperava para abastecer o veículo com gasóleo.

Questionado sobre a razão por que não ia a Espanha abastecer, o condutor disse que "o carro está com a reserva já muito em baixo e não conseguia chegar lá", porque tinha de fazer pelo menos 12 quilómetros para lá chegar.

"Mas enquanto isto não estiver resolvido, já não volto a deixar o carro chegar a este ponto", afirmou, lamentando a espera na fila para abastecer quando estava já "atrasado para ir trabalhar".

Luís Saleiro é que, ao chegar ao fim da fila, decidiu que não tentava mais abastecer em Vila Real de Santo António."Vou para Espanha, já andei às voltas e não espero mais. Ali não há greve, os tanques estão cheios e não temos de esperar", disse, antes de arrancar com destino a Ayamonte (Espanha), onde muitos portugueses aproveitam os preços para abastecer os carros.

A greve dos motoristas de matérias perigosas, que começou às 00:00 de segunda-feira, foi convocada pelo Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), por tempo indeterminado, para reivindicar o reconhecimento da categoria profissional específica.

Na terça-feira, alegando o não cumprimento dos serviços mínimos decretados, o Governo avançou com a requisição civil, definindo que até quinta-feira os trabalhadores a requisitar devem corresponder "aos que se disponibilizem para assegurar funções em serviços mínimos e, na sua ausência ou insuficiência, os que constem da escala de serviço".

No final da tarde de terça-feira, o Governo declarou a "situação de alerta" devido à greve, avançando com medidas excecionais para garantir os abastecimentos e, numa reunião durante a noite com a Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) e o Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas, foram definidos os serviços mínimos.A greve dos motoristas de matérias perigosas decorre por tempo indeterminado.

Lusa