Economia

Companhia de petróleo saudita Aramco reduz produção para metade após ataques de drones

ALI HAIDER / EPA

Principal companhia de petróleo do mundo.

O ministro da Energia da Arábia Saudita, o príncipe Abdulaziz bin Salman, disse hoje que a principal companhia de petróleo do mundo, a Aramco, reduzirá a sua produção para metade, após os ataques de drones por Huthis.

Segundo um comunicado oficial divulgado pela agência saudita, que cita o ministro da Energia, as explosões interromperam a produção de petróleo em cerca de 5,7 milhões de barris, "ou cerca de 50% da produção da Aramco, mas a redução será compensada através de inventários".

O ministro Abdulaziz bin Salman explicou ainda que as explosões "também interromperam a produção do gás associado estimado em 2.000 milhões de pés cúbicos por dia", o que reduzirá o fornecimento de etano e de gás natural no país até cerca de 50%.

Um ataque com drones já reivindicado pelos rebeldes iemenitas Huthis provocou hoje incêndios em duas instalações petrolíferas do gigante saudita Aramco, no leste da Arábia Saudita.

O ataque de drones atingiu a maior instalação de processamento de petróleo do mundo e um grande campo de petróleo, provocando grandes incêndios numa zona vulnerável para o fornecimento global de energia.

O enviado especial da ONU para o Iémen, Martin Griffith, reagiu hoje com "extrema preocupação" aos ataques com drones contra as refinarias sauditas.

"O enviado especial da ONU para o Iémen está extremamente assustado pelos ataques reivindicados por Ansar Allá contra duas importantes petrolíferas do Reino da Arábia Saudita. A escalada militar é extremamente preocupante", afirmou Griffiths, num curto comunicado.

O Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, conversou hoje com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammad Bin Salman, "para oferecer [o] seu apoio", após os ataques contra as instalações de petróleo.

A Casa Branca afirma, em comunicado, que "os Estados Unidos condenam fortemente o ataque de hoje a infraestruturas críticas de energia".

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, culpou hoje o Irão pelos ataques com drones contra a infraestrutura de petróleo da Arábia Saudita e exortou todas as nações a "condenar os ataques".

O ataque perpetrado com drones provocou incêndios em duas instalações petrolíferas da Aramco situadas em Abqaiq e Khurais.

"Às 04:00 locais (02:00 em Lisboa) equipas de segurança da Aramco intervieram para apagar incêndios em duas instalações", indicou o Ministério do Interior saudita, maior exportador mundial de petróleo.

"Os dois incêndios foram apagados", adianta o ministério, sem precisar a origem dos drones nem se houve vítimas ou suspensão das operações.

O ministério disse ainda que está a proceder a investigações.

Os Huthis, apoiados politicamente pelo Irão, grande rival regional da Arábia Saudita, reivindicam regularmente lançamentos de mísseis com drones contra alvos sauditas e afirmam que agem como represália contra os ataques aéreos da coligação militar liderada pela Arábia Saudita, que intervém no Iémen em guerra desde 2015.

Lusa