Economia

Restauração com quebras de 40% na faturação em agosto

Gregory Bull

Resultados do inquérito mensal da AHRESP concluem que o verão não está a ser suficiente para as empresas de restauração e bebidas recuperarem.

Quebras homólogas de faturação de 40% em agosto foram reportadas por 70% das empresas inquiridas pela Associação da hotelaria, restauração e similares de Portugal (AHRESP), num inquérito onde 9% das empresas admite mesmo não conseguir pagar salários.

Os resultados do inquérito mensal da associação, realizado entre 31 de agosto e 3 de setembro, no continente e regiões, concluem que o verão não está a ser suficiente para as empresas de restauração e bebidas recuperarem dos prejuízos do confinamento gerado pela pandemia da covid-19.

"Na restauração e bebidas, mais de 38% das empresas ponderam avançar para insolvência, dado que as receitas realizadas e previstas não permitirão suportar os encargos habituais para o normal funcionamento da sua atividade", diz a associação.

Segundo o inquérito, mais de 9% das empresas não conseguiram efetuar o pagamento dos salários em agosto e 10% só o fez parcialmente.

A AHRESP diz que, com esta realidade, 14% das empresas já efetuaram despedimentos desde o início do estado de emergência, e mais de 24% das empresas assumem que não vão conseguir manter todos os postos de trabalho até ao final do ano.

Para as empresas do alojamento turístico o cenário também é alarmante, e em agosto 12% não registaram qualquer ocupação e mais de 16% indicou uma ocupação máxima de 10%.

Vinte e dois por cento das empresas inquiridas revelaram uma quebra homóloga superior a 90% na taxa de ocupação, precisa a associação, acrescentando que em setembro os resultados não são menos preocupantes, com 24% das empresas a esperar menos de 10% de taxa de ocupação e mais de 17% das empresas a perspetivar uma ocupação zero.

"Perante este cenário, 16% das empresas ponderam avançar para insolvência por não conseguirem suportar todos os normais encargos da sua atividade", alerta a AHRESP, adiantado que mais de 19% das empresas não conseguiram efetuar o pagamento dos salários em agosto e só 8% o fez parcialmente. "Com esta realidade, cerca de 16% das empresas assumem que não vão conseguir manter todos os postos de trabalho até ao final do ano", conclui a associação.

As medidas para combater a pandemia da doença covid-19 paralisaram setores inteiros da economia e levaram a Comissão Europeia a prever para Portugal um recuo da economia de 9,8% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020, uma contração acima da anterior projeção de 6,8% e da de 6,9% estimada pelo Governo português.

O Governo prevê que a economia cresça 4,3% em 2021, enquanto Bruxelas antecipa um crescimento mais otimista, de 6%, acima do que previa na primavera (5,8%). A taxa de desemprego deverá subir para 9,6% este ano, e recuar para 8,7% em 2021.