Economia

França aborda "possíveis sanções económicas" setoriais da UE contra Turquia

Benoit Tessier

As tensões entre a UE e a Turquia multiplicaram-se, sobretudo no Mediterrâneo, devido à descoberta de vários campos de gás, mas também face ao apoio dado pela Turquia ao Azerbaijão, no conflito de Nagorno-Karabakh, contra a Arménia.

A França abordou a possibilidade de "sanções económicas" setoriais da União Europeia (UE) contra a Turquia, disse este domingo o secretário de Estado para Assuntos Europeus, Clément Beaune, que criticou o "islamismo agressivo" às portas da Europa.

"Sanções em certos setores económicos são uma possibilidade", expressou Clément Beaune, durante um programa da rádio Europe 1 e do diário Les Echos, acrescentando que "todas as opções estão sobre a mesa", incluindo sanções individuais, que já foram tomadas contra algumas autoridades turcas pela perfuração de gás no Mediterrâneo.

Em relação a reportagens jornalísticas sobre uma possível abolição da união aduaneira entre a UE e a Turquia, o secretário de Estado para Assuntos Europeus francês não crê que "seja a opção mais eficaz".

Após uma série de disputas, a UE condenou as provocações "totalmente inaceitáveis" de Ancara no final de outubro, mas adiou qualquer tomada de decisão sobre possíveis sanções para a cimeira a realizar em dezembro.

"Demos uma oportunidade à Turquia na última cimeira europeia, o que deu pequenos sinais de apaziguamento. Agora, ela [Turquia] escolheu mais uma vez o caminho sistemático da provocação e da agressividade", realçou Clément Beaune, que afirmou: "Certamente iremos mais longe".

As tensões entre a UE e a Turquia multiplicaram-se, sobretudo no Mediterrâneo, devido à descoberta de vários campos de gás, mas também face ao apoio dado pela Turquia ao Azerbaijão, no conflito de Nagorno-Karabakh, contra a Arménia.

A Turquia pediu também o boicote a produtos franceses, na sequência das declarações do Presidente gaulês, Emmanuel Macron, que defendeu o direito à publicação de caricaturas, após a decapitação, por um islâmico, de um professor de francês, em 16 de outubro, que tinha mostrado aos seus alunos caricaturas do profeta Maomé.

"Durante 10 ou 15 anos, pensámos que a Turquia era uma simpática democracia cristã oriental, com uma modernização que seria feita gradualmente", sublinhou Beaune, acrescentando: "Não é. É um islamismo agressivo culturalmente, geopoliticamente, em todas as áreas. Vimos isso novamente em Nagorno-Karabakh nos últimos dias e, portanto, não devemos ser ingénuos".

Clément Beaune assegurou que "a França não está sozinha diante da Turquia", considerando que, "hoje, nenhum país europeu tem mais ilusões sobre o que são Erdogan [Presidente turco] e o seu regime".