Economia

António Mexia e João Manso Neto vão sair da administração da EDP

Pedro Nunes

Novos administradores vão ser escolhidos em janeiro.

António Mexia e João Manso Neto vão sair da administração da EDP, anunciaram esta segunda-feira em comunicado. Mexia, Presidente da EDP, e Manso Neto, Presidente da EDP Renováveis, estão suspensos de funções, por ordem judicial, desde julho, na sequência do inquérito judicial conhecido como o caso EDP.

Num comunicado, anunciaram que não estão disponíveis para fazer um novo mandato na elétrica.

"A minha liderança na EDP tem sido uma viagem extraordinária ao longo dos últimos quinze anos, justificando o enorme afectoque tenho pela companhia e pelas suas pessoas", escreveu António Mexia numa comunicação ao Presidente da Mesa da Assembleia Geral, Luís Palha da Silva.

A empresa vai realizar uma Assembleia-geral extraordinária em janeiro para eleger novos administradores.

No processo, que investiga suspeitas de corrupção ativa e participação económica em negócio, relacionado com os procedimentos sobre a introdução no setor elétrico nacional dos Custos para Manutenção do Equilíbrio Contratual (CMEC), são arguidos Mexia e Manso Neto, Manuel Pinho, Ricardo Salgado e João Conceição e Rui Cartaxo, entre outros.

O processo das rendas excessivas da EDP está há cerca de oito anos em investigação no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).

No comunicado a que a SIC teve acesso, Mexia criticou o processo:

"É com profunda indignação e espanto que nestes últimos mais de três anos continuo a assistir ao desenrolar de um processo baseado em insinuações e suspeitas, alicerçado numa construção fantasiosa e puramente especulativa, sem qualquer aderência à verdade dos factos."

Stilwell de Andrade convidado a formar Conselho de Administração Executivo da EDP

Os acionistas da EDP representados no Conselho Geral e de Supervisão (CGS) pediram hoje ao presidente interino da empresa Miguel Stilwell de Andrade uma proposta relativa à composição do Conselho de Administração Executivo (CAE) para o próximo mandato (2021-2023).

"A EDP rececionou uma comunicação de todos os acionistas representados no CGS, indicando que, face aos recentes desenvolvimentos relacionados com o PCAE, suspenso de funções, entendem que se deverá proceder à eleição do CAE para o mandato 2021-2023, em sede de assembleia geral, de forma a manter a estabilidade da sociedade e dos seus negócios, transmitindo uma forte mensagem ao mercado no sentido de que a estratégia e o crescimento focado da EDP se mantêm inalterados", lê-se no comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), após o fecho do mercado.

Ao mesmo tempo, informa que "os acionistas signatários já solicitaram ao PCAE interino da sociedade, Miguel Stilwell de Andrade, que lhes submetesse uma proposta relativa à composição do CAE para o próximo mandato (2021-2023)".

O presidente da EDP, António Mexia (C), ladeado por Manso Neto (E) e Miguel Stilwell Andrade, durante a assembleia-geral de acionistas da EDP, em Lisboa, a 24 de abril de 2019

O presidente da EDP, António Mexia (C), ladeado por Manso Neto (E) e Miguel Stilwell Andrade, durante a assembleia-geral de acionistas da EDP, em Lisboa, a 24 de abril de 2019

ANTÓNIO COTRIM

Em 6 de julho, o administrador financeiro da EDP, Miguel Stilwell de Andrade, foi nomeado presidente interino do CAE da empresa, na sequência da suspensão de funções de António Mexia decretada pelo juiz Carlos Alexandre.

"Nesta data, o Conselho Geral e de Supervisão e o Conselho de Administração Executivo deliberaram proceder à nomeação do Chief Financial Officer, Miguel Stilwell de Andrade, para o exercício interino das funções e cargo de presidente do Conselho de Administração Executivo enquanto se verificar o impedimento do Dr. António Mexia, e em acumulação com as atuais funções", referia o comunicado enviado à CMVM.