Economia

Plano de Recuperação e Resiliência "é uma lista de intenções muito geral"

Entrevista SIC Notícias

Ex-ministro da Economia Augusto Mateus analisa o Plano de Recuperação e Resiliência.

A consulta pública do Plano de Recuperação e Resiliência termina esta segunda-feira. Os últimos dados disponíveis apontavam para 105 mil visualizações e cerca de 800 comentários.

Em cerca de 147 páginas, podem consultar-se as reformas e de investimentos previstos até 2026. Este plano beneficia de um total de 16.643 milhões de euros, composto por quase 14 mil milhões de euros em subvenções e o restante em empréstimos. Está centrado em três áreas: a resiliência, a transição climática e a transição digital.

O economista e ex-ministro da Economia Augusto Mateus considera que o plano é uma lista de intenções muito geral e que não é organizado nem suficientemente focado.

"É um ponto de partida e não um ponto de chegada", reiterou.

Numa entrevista à SIC Notícias, defendeu que é necessário um modelo moderno, participado e que envolva a política pública, nomeadamente, membros da Administração Pública.

No plano constam ideias excessivamente genéricas, considera o economista, que não conduzem a nada de muito relevante.

"Temos que perceber que estamos a viver a maior crise económica e social que já vivemos. Estamos longe, ainda, de vencer a pandemia. (....) 2021 ainda é um ano muito difícil do ponto de vista da pandemia e da crise económica e social", afirmou.

Por isso, defende que no âmbito da resiliência, uma das principais áreas do plano, deveria ser apresentado um problema chave: como reequilibrar o sistema de saúde.

"Investimento não é a compra de equipamentos ou compra de edíficios", apontou.

Augusto Mateus considera que a União Europeia tem uma ideia correta de que a dimensão dos esforços deve acelerar um conjunto de transformações na sociedade.

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