O Deutsche Bank começou uma investigação interna em fevereiro deste ano depois de executivos do banco terem vendido, durante mais de dez anos, produtos financeiros complexos a pequenas e médias empresas espanholas.
Agora, uma das afetadas, o grupo Palladium, processou o banco alemão e quer uma indemnização de 500 milhões de euros por ter-se aproveitado da ingenuidade alheia para fazer negócio, noticia o Financial Times na edição desta quarta-feira. O Deutsche Bank nega irregularidades e disse ao jornal que as acusações feitas formalmente num tribunal londrino são "infundadas".
Os responsáveis das subsidiárias da Palladium, diz o jornal, pensavam que tinham comprado produtos derivados para a proteção face ao risco cambial e de uma subida das taxas de juro, mas acabaram por incorrer em perdas substanciais que obrigaram a empresa a contrair empréstimos.
O total dos contratos de produtos derivados alcançou em 2017, salienta o FT, os 5,6 mil milhões de euros, face a receitas anuais de apenas 700 milhões de euros.
O processo foi instaurado por Antonio Matutes Juan, irmão do antigo comissário europeu, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros, e presidente da Palladium, Abel Matutes Juan.
O grupo hoteleiro é o sétimo maior de Espanha e é o caso mais visível de uma investigação interna que já levou a indemnizações extrajudiciais e à saída de dois executivos sénior do banco, com o jornal britânico a reportar que entre 50 a 100 empresas poderão ter sido vítimas destas operações.
