Economia

Empregadores otimistas e trabalhadores cautelosos. O que esperar do mercado de trabalho em 2022

Segundo a consultora de recrutamento Hays, 84% dos empregadores ponderam recrutar em 2022. Mas a guerra pelo talento promete intensificar-se já que o número de profissionais disponíveis para mudar de emprego está em queda.

É o valor mais alto de sempre desde 2011, ano em que a consultora Hays começou a realizar o Guia do Mercado Laboral, o estudo anual sobre intenções de contratação e perspetivas salariais, em Portugal: 84% dos empregadores pretendem recrutar no próximo ano, sinalizam os resultados do estudo para para 2022, divulgados esta quinta-feira.

O otimismo dos empregadores não encontra, porém, correspondência entre os profissionais qualificados que, segundo o relatório da Hays, estão menos disponíveis para mudar de emprego. Só 74% dos demonstram abertura a novas oportunidades de carreira em 2022, um recuo de quatro pontos percentuais face a 2021, depois de dois anos de aumento contínuo.

Depois do abrandamento nas intenções de contratação verificado nos últimos anos, "2022 apresenta-se com um valor recorde: 84% dos empregadores afirmam que pretendem contratar profissionais para a sua estrutura", destaca o relatório a que o Expresso teve acesso. Um número que a Hays interpreta como um "claro indicador de que os empregadores planeiam implementar em pleno os seus planos de recuperação ou crescimento".

Mas esta estratégia de reforço de quadros pode ser travada por um agravar das dificuldades de contratção. É que fruto da instabilidade económica e da própria virtualização dos processos de recrutamento e acolhimento, os profissionais estão mais cautelosos na mudança e a percentagem dos que estão disponíveis para aceitar novos desafios profissionais recuou pela primeira vez em dois anos, para os 74%.

Norte poderá apresentar maiores dificuldades

E há diferenças regionais nesta dinâmica de mercado. A região Norte destaca-se, apresentando a percentagem mais elevada de intenção de recrutamento por parte dos empregadores (86%), bem como o maior fosso entre empregadores que pretendem contratar e profissionais que pretendem mudar de emprego (73%)", explica a Hays na nota que acompanha o estudo. A região Sul do país, por sua vez, apresenta a percentagem mais baixa de profissionais em busca de novas oportunidades de carreira (72%), muito aquém da verificada na região Centro (80%).

A desagregação das intenções de contratação por dimensão das empresas permite concluir que as grandes empresas concentram o maior potencial recrutamento. De acordo com a Hays, "as grandes empresas nacionais destacam-se, com 90% dos empregadores a indicar que pretendem contratar em 2022. Seguem-se as PMEs, com 84%, as multinacionais, com 83%, e as micro empresas ou startups, com 81% – uma diferença de 20 pontos percentuais, comparativamente ao ano anterior".

Perfis tecnológicos na mira dos recrutadores

Sem surpresas, e em linha com o que tem sido prática nos últimos anos, os profissionais qualificados na área das tecnologias de informação voltarão a liderar a lista dos mais procurados em 2022 pelas empresas, com 32% das intenções de contratação, número que compara com os 26% apurados em 2021. Engenheiros (30%) e comerciais (29%) encerram o top 3 dos perfis que deverão registar maior dinâmica de contratação no próximo ano.

A par com estes perfis, a Hays coloca ainda em destaque nas intenções de contratação das empresas "os perfis de marketing e comunicação, que serão procurados por 18% dos empregadores em 2022". Segundo a consultora de recrutamento, "este é um valor recorde para este tipo de perfil, cujas intenções de recrutamento tinham estabilizado nos 14%/15% nos últimos anos e que tinham anteriormente atingido o seu máximo histórico nos 16%, em 2017".

Forte procura deverão também registar os profissionais da área administrativa e de suporte e os financeiros, ambos com 13% das intenções de recrutamento; os perfis de recursos humanos e de logística/cadeia de fornecimento, com 12% e 11%, respetivamente, ainda que com dinâmicas diferentes. "Se para os profissionais de logística este valor está relativamente em linha com o ano anterior, para os profissionais de RH [recursos humanos] as intenções de recrutamento aumentaram cinco pontos percentuais face a 2021", sinaliza a consultora.

O estudo da Hays foi elaborado com base em inquéritos online, realizados durante o mês de outubro, a 2.864 profissionais qualificados e 901 empregadores em Portugal.