Economia

Sintac acusa Portway de recorrer a serviços externos para contornar a greve

Sintac acusa Portway de recorrer a serviços externos para contornar a greve
O Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil lembra que a substituição de grevistas é um crime perante a lei portuguesa.
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O Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil (Sintac) diz ter a informação de que "Portway estará a recorrer à contratação de serviços externos para substituição de grevistas". Segundo o sindicato, isso mesmo pode ser comprovado nos serviços de push-back (trator para empurra os aviões para a pista).

"Recordamos que a substituição de grevistas é um crime perante a lei portuguesa e até ao momento está confirmado que a Ryannair/Groundlink e a Groundforce foram as empresas que se disponibilizaram para efetuar este serviço", lê-se no comunicado enviado esta manhã às redações.

Em declarações aos jornalistas a partir do Aeroporto de Lisboa, Pedro Figueiredo, dirigente do Sintac, confirmou esta informação dizendo lamentar que "uma empresa ligada ao subsetor do Estado, neste caso a Groundforce esteja a efetuar o serviço de reboques". Neste sentido, revelou, "já fizemos chegar à Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) e respetivos ministérios a denúncia", apesar de até ao momento não terem recebido qualquer resposta.

Questionado sobre se o impacto da greve é penalizado por esta situação, o dirigente do Sintac reconheceu que sim, "afeta em muito", ainda "está a ter impacto". a ter impacto, tendo já sido cancelados "60 voos em Lisboa e cerca de 40 no Porto".

E represálias temem? "Sim, aparecem sempre, seja por vingança seja por querem acabar com estes grevistas", que "não estão a pedir muito, mas parece que estamos perante uma teimosia da empresa em não ceder às nossas reivindicações".

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À SIC Notícias, o delegado sindical do Porto, Pedro Mota, também confirmou esta informação. "Tenho conhecimento de que em Lisboa – os meus colegas já me avisaram - contrataram outra empresa de handling para substituir trabalhadores paralisados", afirmou.

O Sintac pede, por isso, às autoridades competentes para que "procedam à identificação dos gestores destas empresas, de modo a que seja imputada a devida responsabilidade".

Mais de 80 voos já foram cancelados

A Lusa consultou o site da ANA - Aeroporto de Portugal e fez as contas. Foram canceladas 30 partidas e 23 chegadas em Lisboa e 15 partidas e 15 chegadas no Porto. Mais sorte estão a ter, até agora, os passageiros de Faro e do Funchal, que apesar de os aeroportos estarem abrangidos pelo pré-aviso de greve não têm registo de cancelamentos.

A maioria dos voos cancelados são da easyJet, que na quinta-feira avisou que decidiu cancelar previamente alguns voos em Lisboa e Porto devido à greve, informando os seus passageiros.

O pré-aviso de greve prevê a paralisação geral dos trabalhadores da empresa de assistência em terra, nos aeroportos de Lisboa, Porto, Faro e Madeira, com início às 00:00 desta sexta-feira e fim às 24:00 de domingo.

A ANA gestora dos aeroportos nacionais, detida pela Vinci, e a empresa de assistência em terra, do mesmo grupo, publicaram uma lista de "companhias aéreas cujos voos poderão ser afetados pela greve convocada por um sindicato" na empresa de assistência em terra.

Dessa lista fazem parte a Aegean, Air Canada, Air Transat, American Airlines, Blue Air, Brussels, Cabo Verde Airlines, Easyjet, Euroatlantic, European Air Transport, Eurowings, Finnair, Flyone, Latam, Luxair, Swiftair, Transavia, Transavia France, Tunisair, Turkish Airlines, Volotea e Wizzair - companhias que recorrem aos serviços da Portway, sendo que existe outra empresa de 'handling' em Portugal, a Groundforce.

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