O Banco de Portugal guarda 383 toneladas de ouro, que valem mais de 26 mil milhões de euros. Quase metade está no Carregado, a outra metade - 200 toneladas - está em Londres. O ouro está à guarda do Banco de Portugal, mas as reservas já chegaram a ser o dobro do que são atualmente.
"O ouro é um ativo fundamental para os bancos centrais. Aliás, um quinto das reservas mundiais são detidas pelos bancos centrais. Os bancos centrais têm reservas com significado, são as reservas de ouro de um país”, explicou Hélder Rosalino à SIC.
O valor do ouro está sujeito à negociação nos mercados financeiros e, por isso, tende a valorizar quando há uma crise e foi crucial em 2011, período em que Portugal estava sob resgate da Troika.
“Para um credor que no fundo empresta dinheiro a um país, saber que esse país tem uma reserva de ouro com algum significado dá confiança e confere estabilidade ao credor. E por exemplo, nesse programa da Troika 2011-2014, os credores internacionais tiveram uma relação muito direta com o Banco de Portugal, e naturalmente, aquilo que lhes foi mostrado relativamente às nossas reservas de ouro foi importante. Não é uma garantia direta, mas há uma confiança que é dada aos operadores internacionais com quem os países se relacionam.”
Portugal chegou a ter cerca de quatro toneladas na reserva federal norte-americana em Nova Iorque. Transferiu o metal dourado para o banco de França, mas é a partir da capital britânica que o Banco de Portugal ganha dinheiro com o ouro.
"O que nós fazemos com o ouro são empréstimos temporários sem perder a propriedade do ouro, para que quem nos pede esse ouro emprestado durante algum tempo possa preencher as suas carteiras com esse ativo e o que nós fazemos é receber um rendimento desse empréstimo. Naturalmente, quando fazemos esse empréstimo recebemos um valor em dinheiro do ouro que é temporariamente cedido, mas que nunca sai das nossas instalações de aplicação do ouro", explicou Hélder Rosalino.
Só no ano passado, o Banco de Portugal ganhou mais de 70 milhões de euros com a rentabilização do ouro. Nos últimos sete anos foram mais de 250 milhões.
O país atingiu o máximo de reservas em 1974, com mais de 800 toneladas. A acumulação de ouro deve-se em grande parte à história da colonização portuguesa do Brasil e das trocas comerciais durante o período moderno.
No início deste século, o país tinha quase 600 toneladas de ouro. O então governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, decidiu vender parte da reserva do metal dourado.
"Entre 2002 a 2006, vendemos cerca de 225 toneladas de ouro. A decisão fez sentido à data, com os pressupostos conhecidos e no contexto que vivíamos. Ninguém antecipava as crises que se verificaram a seguir, a crise financeira, a crise das dívidas soberanas, a crise pandémica e todas estas convulsões geopolíticas que conhecemos. A questão é se esse ouro tivesse ficado nas reservas do banco de Portugal, hoje tinha uma valorização ainda superior.”
O Banco de Portugal garantiu à SIC que não pretende nem vender nem comprar mais ouro. O preço é fixado em dólares por onça. Cada onça pesa cerca de 31 gramas. Há 23 anos cada onça de ouro custava 270 dólares. Em maio deste ano, a onça bateu um recorde de quase 2.500 dólares.
A corrida ao ouro disparou com as guerras na Ucrânia e em Gaza. De acordo com o Conselho Mundial de Ouro, vários bancos centrais decidiram comprar o metal para diminuir a exposição face à moeda norte-americana. A China é um dos exemplos que tem comprado centenas de toneladas de ouro.