As famílias com menos património estão a endividar-se mais. Representam quase metade da população e só no ano passado pediram 945 milhões de euros aos bancos, dos quais 40% foram para compra de casa.
A análise feita pelo BPI com dados do Banco Central Europeu para o Jornal de Negócios conclui que metade da população portuguesa - a que tem menos património - é a que está a pedir mais dinheiro emprestado.
As famílias portuguesas têm aumentado o património à semelhança das famílias da Zona Euro. A diferença está na dívida dos agregados. Em Portugal, o peso do crédito é muito superior ao conjunto dos países da moeda única, principalmente nesta parcela da população.
É também na metade da população portuguesa menos rica que se concentram as maiores dívidas: 40% dos créditos à habitação são responsabilidade destas pessoas.
Apesar do risco assumido pelos bancos, diz o BPI, a situação regular das famílias no mercado de trabalho impede o incumprimento e com a descida gradual das taxas de juro os agregados familiares vão começar a sentir um alívio na carteira.
Outro factor que pesa na avaliação do risco de crédito é a valorização das casas que foram compradas com recurso a empréstimo. A valorização do mercado imobiliário é uma mais-valia para os compromissos assumidos.