Economia

Álvaro Santos Pereira promete um Banco de Portugal "mais aberto, inovador e influente"

Álvaro Santos Pereira promete mudanças no Banco de Portugal. Na tomada de posse diz que a instituição tem que ser mais aberta e mais próxima dos portugueses. Sublinhou ainda a necessidade da independência dos bancos centrais.

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Álvaro Santos Pereira promete mudanças no Banco de Portugal (BdP). Na tomada de posse diz que a instituição tem que ser mais aberta e mais próxima dos portugueses. "Nos próximos anos teremos um Banco de Portugal mais aberto à sociedade, mais presente no território nacional, mais inovador, mais atento e mais influente”.

No início do seu discurso, Santos Pereira voltou a destacar o princípio da independência do banco central, já referido na sua audição no parlamento, afirmando que o BdP cumprirá esse princípio consigo como governador.

“A história, assim como inúmeras análises empíricas, demonstram claramente a importância de termos Bancos Centrais independentes para garantirmos a estabilidade dos preços e a estabilidade financeira e deste modo para assegurarmos um bom desempenho das nossas economias."
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Novo governador diz que é "preciso fazer mais" para promover habitação

Álvaro Santos Pereira, defende, ainda, reformas estruturais para promover o crescimento e disse ser preciso "fazer mais" para fomentar a habitação, desde logo a nível autárquico, no discurso de tomada de posse.

No discurso no Museu do Dinheiro, em Lisboa, o economista considerou que Portugal está hoje melhor do que há uma década em termos económicos, mas considerou que ainda assim são precisas mais "políticas que promovam o crescimento", defendendo que para isso são essenciais reformas estruturais, sem, contudo, detalhar as que defende.

Também em termos de endividamento de Estado, famílias e empresas (incluindo bancos), considerou Santos Pereira que houve melhorias, mas disse que é preciso prosseguir a redução da dívida para que todos os agentes económicos estejam mais bem preparados para eventuais crises.

Santos Pereira destacou ainda parte do discurso ao mercado imobiliário, considerando que é um problema a falta de casas e que é necessário promover a construção, cabendo aí um importante papel ao poder local.

"Compreende-se as iniciativas recentes para ajudar famílias e jovens, mas é preciso fazer mais e não só o Governo central, também as autarquias", disse.

Para Santos Pereira, é importante diminuir os bloqueios e restrições à construção pelas câmaras municipais, pois, a seu ver, são mais "as inúmeras restrições à construção do que a falta de incentivos económicos".

JOÃO RELVAS

Banca tem de garantir suficientes caixas automáticas no país

O novo governador do Banco de Portugal disse também que o sistema bancário tem de manter suficientes caixas automáticas em todo o país para garantir que a população consegue aceder facilmente a dinheiro físico.

Santos Pereira afirmou que o Banco de Portugal é neutral quanto aos instrumentos de pagamentos e à escolha dos cidadãos e que, precisamente por isso, faz parte das suas competências assegurar que os cidadãos que queiram aceder a dinheiro 'vivo' o consigam em todo o território de Portugal.

Para isso, defendeu que é preciso que o sistema bancário faça investimentos adequados nas máquinas de distribuição de numerário em todo o país. "Embora a importância dos pagamentos digitais tenha vindo a aumentar, devemos assegurar que o numerário permanece facilmente acessível a todos os portugueses. Para tal, é essencial manter o investimento adequado na infraestrutura de distribuição de numerário em todo o território", afirmou.

JOÃO RELVAS

Ainda no discurso de tomada de posse, Santos Pereira disse que irá trabalhar na "simplificação regulatória", considerando que depois do reforço da supervisão e regulação sobre o setor bancário na última década, na sequência das crises, é preciso agora eliminar legislação "redundante" e "excessiva" para tornar a regulamentação "mais ágil e coerente". Ainda sobre a supervisão bancária, função que cabe ao banco central, disse que será "atenta e exigente".

Santos Pereira falou ainda em mudanças internas que quer introduzir no Banco de Portugal, anunciando que passará a haver "concursos para todas as contratações de diretores e diretores adjuntos", com o objetivo de "aumentar a transparência e a meritocracia".

Experiência de Santos Pereira "dúvidas quanto à adequação da escolha para representar Portugal"

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O Ministro das Finanças destacou a importância crescente da literacia financeira na sociedade. Na tomada de posse, elogiou Santos Pereira e agradeceu a Mário Centeno pelos anos que exerceu o cargo.

"Permitam-me que comece por agradecer ao senhor governador cessante do Banco de Portugal, o Dr. Mário Centeno, por estes anos em que exerceu as funções de Governador do Banco Central. Ao Governador que hoje inicia funções, professor Álvaro Santos Pereira, dou as boas vindas, desejando muito sucesso nesta nobre missão de conduzir o Banco de Portugal com independência e rigor", começou por dizer o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento.

Acrescentando que "o seu percurso profissional, em particular os cargos que desempenhou, como professor em universidades internacionais, ministro da Economia, e economia chefe da OCDE, não deixam dúvidas quanto à adequação da escolha para representar Portugal nos mais importantes fóruns".

O economista Álvaro Santos Pereira, de 53 anos de idade, tomou posse esta segunda-feira como governador do Banco de Portugal, sucedendo a Mário Centeno. O economista foi ministro da Economia de 2011 a 2013, no governo PSD/CDS-PP de Passos Coelho.

Santos Pereira era economista-chefe da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) quando, em 24 de julho deste ano, o Governo (PSD/CDS-PP) anunciou a sua escolha para suceder a Centeno (ex-ministro das Finanças de Governos PS).

- Com Lusa