O Presidente do BPI apresentou resultados e deixou um reparo ao Governo sobre outro banco: diz que não entende porque está o Executivo tão contente por conseguir 2.000 milhões de euros com a venda do Novo Banco, se os contribuintes e os bancos lá injetaram mais de 8.000 milhões de euros.
Ainda falta a luz verde do Banco Central Europeu, mas os acordos já estão assinados tanto do lado do Estado, como do Fundo norte-americano Lone Star.
Os franceses do BPCE compram 100% do Novo Banco por 6.400 milhões de euros. O Estado, que já só tinha 25%, recebe 2.000 milhões de euros pela venda e pela distribuição de dividendos.
Os contribuintes e os bancos, que contribuem para o Fundo de Resolução, foram obrigados a injetar 8.000 milhões no Novo banco e agora que o processo termina o CEO do BPI não vê motivos para uma festa.
"Não vou meter para debaixo do tapete quanto isto tudo nos custou aos contribuintes e aos bancos. Isso é que eu acho que não faz sentido. Eu perder oito e recuperar dois e dizer que estou contente acho que não é propriamente uma coisa....eu não consigo ficar. Se alguém consegue, parabéns... eu não consigo, principalmente, quando nós pagamos esse valor. Custa um pouco."
Durante a apresentação dos resultados do BPI, João Pedro Oliveira e Costa não poupa nas críticas à venda do sucessor do BES.
De janeiro a setembro, o BPI lucrou 389 milhões de euros, menos 12% se compararmos com o mesmo período do ano passado.
A queda da margem financeira, a diferença entre os juros cobrados nos créditos e os juros pagos pelos depósitos são a razão pelo tombo nos lucros à boleia das descidas das taxas de juro.